Prevenção dos fogos florestais, 19 agosto 2017
 
2017-08-19 às 14:33

PRIMEIRO-MINISTRO VISITOU DISPOSITIVO DE PREVENÇÃO DE CALAMIDADE DE INCÊNDIOS

O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que a declaração preventiva do estado de calamidade decorreu do «extensão do risco de incêndio» e do «prolongamento que já temos tido ao longo destes sucessivos meses do esforço do dispositivo», durante uma visita ao dispositivo, em Vilas Real.

O Primeiro-Ministro, que visitou patrulhas da Marinha, Exército, GNR, PSP e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, na freguesia de Andriães, em Vila Real, acrescentou que «quando ao fim de dois meses o dispositivo está em permanente tensão, é natural - como todos nós - que comece a mostrar alguma saturação».

Por isto, nesta altura é «muito importante reforçar os meios» e decisão de conceder aos bombeiros voluntários dois dias de descanso por cada dia de combate aos incêndios, o que só pode acontecer em caso de declaração de calamidade.

Calamidade pública com efeitos preventivos

A declaração de calamidade pública com efeitos preventivos começou às 14h00 do dia 18 de agosto e prolonga-se até às 24h00 do dia 21, em 155 concelhos regiões Centro e interior Norte e Baixo Alentejo e Algarve, devido ao «risco acrescido de incêndio nestes concelhos que se irá agravar progressivamente» neste período.

Todos os distritos do País, à exceção de Évora, Lisboa e Setúbal, estão sob o aviso vermelho da Proteção Civil.

«Esta é uma medida excecional que foi adotada num momento, que é sempre um momento difícil, que é o meio de agosto, este ano particularmente difícil pelo prolongamento do esforço a que o dispositivo tem sido sujeito pelo trabalho intensivo, e pelo elevado risco que existe», disse ainda António Costa.

O Primeiro-Ministro disse que «os meios têm estado empenhados no seu máximo em todas as circunstâncias», acrescentando que, «quando as ocorrências se multiplicam, obviamente os meios não se podem dispersar», pelo que os bombeiros não podem «estar simultaneamente em todo o sítio. Ainda ontem ouvimos que num concelho houve 11 focos de incêndio a aparecerem simultaneamente».

António Costa sublinhou que «quem exerce as funções de comando, ao nível distrital ou ao nível municipal, é que pode fazer uma avaliação global de afetar os meios aquilo que é prioritário» e a prioridade «tem de ser a prioridade coletiva».

90% dos incêndios são controlados

«Se formos ver os resultados extraordinários que têm sido obtidos face ao número de ocorrências que temos tido ao longo deste ano percebemos bem que não podemos medir a atividade de todo o setor da Proteção Civil pelos 10% de incêndios que não têm sido possível controlar», afirmou ainda.

«Não podemos desvalorizá-los, pois são aqueles que dão a dimensão trágica. Um único incêndio deu uma dimensão incomparável do ponto de vista da destruição de vidas humanas, que foi o incêndio de Pedrogão Grande, mas há os outros 90%, em que o sistema reagiu e conseguiu controlar no prazo previsto o desenvolvimento dos incêndios».

O Primeiro-Ministro disse que «é muito importante transmitir simultaneamente estas duas mensagens, porque é preciso dar uma palavra de alento a todos, em particular, aos bombeiros voluntários, que dão o seu melhor para a segurança coletiva».

Reforço da vigilância

O Primeiro-Ministro viajou num avião de patrulha C295 da Força Aérea, equipado com um sistema de câmaras de deteção térmica, que partiu da base área de Sintra, para patrulhar a região Norte até segunda-feira, estando ainda no Algarve um avião P3.

Nas operações dos próximos dias estão envolvidos 1041 militares, divididos por 347 equipas, 199 das quais em permanência no terreno, de acordo com dados da Proteção Civil.

O mesmo período, a GNR reforçou o seu dispositivo com 870 militares (145 patrulhas em permanência), tendo a PSP contribuído com um reforço de 164 agentes (51 patrulhas permanentes) e o Corpo Nacional de Agentes Florestais com 31 equipas de 155 efetivos.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa e Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, no avião de patrulha C295, entre Sintra e Vila Real, 19 agosto 2017

Reforço da prevenção da situação de calamidade Tags: primeiro-ministro, incêndios, floresta, protecção civil, Forças Armadas, forças de segurança, bombeiros

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