Cimeira da Europa do Sul, 10 abril 2017
 
2017-04-10 às 17:05

EUROPA DO SUL TEM A VISÃO COMUM DE QUE OS CIDADÃOS DEVEM ESTAR NO CENTRO DO PROJETO EUROPEU

O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que os sete países da Europa do Sul têm uma visão comum para o futuro da Europa, visão que «assenta numa ideia fundamental: nós temos de ter os cidadãos no centro do projeto europeu», segundo disse em Madrid, na declaração final da terceira cimeira da Europa do Sul.

O Primeiro-Ministro agradeceu ao Presidente do Governo Espanhol, Mariano Rajoy, por ter organizado esta terceira cimeira – aos anteriores foram em Atenas e em Lisboa – dos países da Europa do Sul, nestes últimos sete meses.

António Costa afirmou que «esta é uma excelente demonstração de como países tão diversos são capazes de ter posições comuns, não na defesa dos seus interesses específicos, mas na defesa de uma visão comum para a Europa».

«Temos aqui sete países, com governos de famílias políticas distintas, temos aqui sete países, três dos quais são dos cinco maiores da União Europeia, temos países que são das economias mais fortes a nível mundial, e países que, simultaneamente, são dos que mais sofreram com a crise dos últimos anos na Europa», referiu.

Os cidadãos no centro da Europa

Mas, «não obstante esta diversidade, somos capazes de partilhar uma visão comum sobre os desafios que se colocam à Europa e o seu futuro», acrescentando que «essa visão comum assenta numa ideia fundamental: nós temos de ter os cidadãos no centro do projeto europeu».

«Os cidadãos devem ser o centro das nossas negociações com o Reino Unido: a defesa dos cidadãos britânicos que querem permanecer na União Europeia e a defesa dos cidadãos europeus que querem continuar a viver no Reino Unido», disse ainda.

O Primeiro-Ministro afirmou que esta negociação «deve ser feita de uma forma amigável, naturalmente para a defesa dos interesses da União Europeia, mas que deve ter em vista que, no futuro, queremos manter a relação o mais próxima possível com o Reino Unido, ele deve ser o nosso mais forte aliado, o nosso mais próximo amigo e o nosso mais estreito parceiro».

Mas os cidadãos também têm que estar «no centro da discussão sobre o futuro da Europa», afirmou.

«A segurança dos cidadãos que exige maior cooperação quer nas fronteiras externas, quer na ameaça interna que constitui o terrorismo».

«Os cidadãos a quem nós temos que dar confiança no futuro da Europa, através de uma política comercial ativa, que ajude a regular a globalização, que vença a ideia do protecionismo, e nos permita dialogar com outras regiões e outras economias do mundo, desde logo com uma região tão querida de Espanha e de Portugal, como é o Mercosul».

«Os cidadãos a quem temos de dar a garantia de que somos capazes de regular, de uma forma eficaz, o fluxo migratório», acrescentou.

Futuro de prosperidade

António Costa afirmou igualmente que a União deve conseguir garantir aos cidadãos «de que há um futuro de prosperidade, de crescimento e de emprego assente na inovação, na energia, e no novo mercado digital».

Este visão do «futuro da Europa centrado nos cidadãos» «exige novos avanços no quadro da União Europeia, e por isso é com muita satisfação que vemos a iniciativa do presidente [da Comissão Europeia, Jean-Claude] Juncker de abrir um debate com base no livro branco, e aguardamos com muita expetativa os documentos que irá apresentar nos próximos meses sobre diferentes áreas temáticas: já no dia 26 de abril, o documento sobre a Europa social, logo depois, em maio, o documento sobre a união económica e monetária».

Para os sete países «é muito claro que o futuro da Europa e o seu desenvolvimento exige bases sólidas, e a base mais sólida que podemos construir exigem a estabilização da zona euro, a consolidação do euro como um dos grandes adquiridos da construção europeia, e, para que isso aconteça, é necessário completar a união económica e monetária, reforçar a convergência económica e reforçar o pilar social da União Europeia».

«Por isso é um motivo de satisfação que estou nesta cimeira dos países do sul e que aguardo a próxima reunião» Chipre ficou de organizar, concluiu.

Outros assuntos

A cimeira tratou ainda de três outros assuntos – além da discussão sobre o futuro da União – que o Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, o anfitrião da cimeira, resumiu na sua declaração.

Quanto à Síria, os sete países condenaram com o maior vigor o ataque com armas químicas de 4 de abril, consideraram que o ataque lançado pelos Estados Unidos tinha a intenção compreensível de impedir a distribuição e o uso de armas químicas e que se centrou nesse objetivo.

A declaração refere também que só uma solução pacífica credível poderá garantir a paz e a estabilidade, permitindo a derrota definitiva do Daesh e de outros grupos terroristas.

Sobre o processo de reunificação de Chipre, cujas negociações decorrem, a cimeira reiterou o seu apoio ao processo, valorizando muito significativamente os esforços do seu Governo e do seu presidente».

Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, a cimeira assinalou a necessidade unidade dos 27, a confiança e apoio ao negociador designado pela Comissão, reafirmar que primeiro se negoceia a saída e depois a relação futura, assinalar a importância de preservar os direitos dos cidadãos, e o desejo de que o processo termine com a melhor relação possível entre a União Europeia e o Reino Unido.

A cimeira reuniu os países do sul da União Europeia, que estiveram representados pelos seus Chefes de Estado ou de Governo. O anfitrião foi o Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, que recebeu os Presidente da República de França, François Hollande, e de Chipre, Nicos Anastasiades, e os Primeiros-Ministros da Grécia, Alexis Tsipras, de Itália, Paolo Gentiloni, de Malta, Joseph Muscat (atual presidente da União Europeia), e de Portugal.

 

Foto: A caminho da foto de família na cimeira dos países da Europa do Sul, Madrid, 10 abril 2017 (Foto: Paulo Vaz Henriques)

Declaração do Primeiro-Ministro António Costa na cimeira dos países do sul da Europa Tags: primeiro-ministro, união europeia, cidadania, reino unido, zona euro, fronteiras, terrorismo, globalização, migração, emprego, crescimento, coesão