Competências digitais, 3 abril 2017
 
2017-04-03 às 17:09

COMPETÊNCIAS DIGITAIS SÃO FUNDAMENTAIS PARA IMPULSIONAR CRESCIMENTO ECONÓMICO

O Primeiro-Ministro, António Costa, presidiu à Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030, em Lisboa, onde referiu dois desafios fundamentais que se colocam relativamente às competências digitais.

«O primeiro desafio é um problema de cidadania», disse o Primeiro-Ministro, ou seja, «garantir que todos aqueles que não são especialistas em ciência e tecnologia, engenharia ou matemática são também cidadãos e têm capacidade de ser cidadãos no futuro».

Isto porque «a democracia só se fortalece com cidadãos ativos e preparados, cada vez mais informados e com maior capacidade de intervir no espaço público, algo para que as competências digitais são fundamentais», acrescentou António Costa.

«Há uma segunda dimensão, que tem a ver com o futuro do País e com a capacidade de sermos competitivos nesta era da globalização», afirmou o Primeiro-Ministro.

António Costa sublinhou: «O País só se desenvolve e só vai crescer mesmo a sério quando tivermos efetivamente a capacidade de competir no valor acrescentado, e não apenas no custo. É esse valor acrescentado que nos fará crescer».

Desenvolvimento assente na qualificação e inovação

«Não podemos ter mais dúvidas sobre qual o modelo de desenvolvimento em que temos de trabalhar», referiu o Primeiro-Ministro, acrescentando que «o nosso modelo de desenvolvimento tem de assentar em dois fatores fundamentais: qualificação e inovação. Para isso, as competências digitais são fundamentais».

António Costa realçou: «Como tenho dito várias vezes, esta é a primeira revolução tecnológica para a qual Portugal não parte em desvantagem, nem por carência de recursos naturais, nem por sermos afetados por uma posição geográfica menos vantajosa».

«Pelo contrário, partimos com duas vantagens competitivas muito importantes: temos o País dotado de uma infraestrutura ímpar de qualidade para suportar esta revolução tecnológica, e temos recursos humanos hoje de grande qualidade».

Oportunidade de emprego

Todavia, «não basta ter só a geração melhor preparada de sempre, precisamos de criar volume em relação a esse desafio» e «esse volume gera-se no futuro, investindo no sistema educativo, desde o pré-escolar a todos os graus de ensino, quer no ensino profissional, quer no ensino não profissional», afirmou o Primeiro-Ministro.

António Costa sublinhou que o valor acrescentado também está presente nas gerações mais velhas: «Temos aqui uma oportunidade, que é o facto de podermos reaproveitar e encontrar novas alternativas a quem neste momento está fora do mercado de trabalho».

«Por isso, qualificar quem está a trabalhar e qualificar quem está em situação de desemprego é criar uma enorme oportunidade», disse o Primeiro-Ministro, referindo que Portugal «tem hoje 800 mil desempregados» e é, simultaneamente, um país «onde faltam 15 mil programadores».

«É evidente que muitas das pessoas desempregadas não querem ou não podem vir a ser programadores, mas há 15 mil que podem, seguramente, vir a sê-lo. E nós não podemos esperar, para o futuro do País, que os meninos que estão hoje a entrar no pré-escolar cheguem daqui a 20 anos ao mercado de trabalho».

Por isto, a formação ministrada aos adultos «é essencial», disse António Costa.

Aprendizagem permanente

Em paralelo, o Primeiro-Ministro referiu «a formação para a formação – porque, tal como há 15 anos não se imaginava que os telemóveis fossem o que são hoje, também não imaginamos qual será o cenário dentro de 15 anos. Há um efeito multiplicador nesta aceleração, por isso é preciso aprender a aprender em permanência, e essa é uma atitude coletiva que a sociedade vai ter de adquirir».

«Este é um desafio, não só das empresas e da Academia, mas do conjunto da sociedade. Se não queremos deixar ninguém para trás e não aceitamos deixar pessoas excluídas de oportunidades futuras, este programa para as competências digitais é decisivo», realçou António Costa.

«Claro que as competências digitais têm diferentes níveis – há aqueles que vão ter de aprender a ensinar os robots que vão substituir parte dos nossos trabalhos, há aqueles que só vão ter de aprender a fazer funcionar os robots, e há outros que certamente só vão beneficiar do trabalho dos robots», exemplificou.

E concluiu: «Agora, há uma coisa que é certa – um nível de competência digital mínimo, todos vamos ter de adquirir, porque essas vão ser competências básicas do futuro. Este é um esforço coletivo que todos teremos de fazer para ter sucesso».

Nesta cerimónia estiveram também presentes a Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que apresentou a Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030, e o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa na apresentação da Iniciativa Nacional Competências Digitais, Lisboa, 3 abril 2017 (Foto: José Sena Goulão/Lusa)

Primeiro-Ministro na Iniciativa Nacional Competências Digitais
Iniciativa Nacional Competências Digitais Tags: primeiro-ministro, digitalização, qualificação, emprego, formação, cidadania, educação

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