O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, acompanhado do
Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas,
recebeu Sérgio Caetano, o vencedor da primeira edição de «O
Meu Movimento», com o Movimento pela abolição das corridas de
touro. Sérgio Caetano e dois outros defensores da abolição das
touradas apresentaram os seu pontos de vista ao Governo durante
mais de uma hora, numa iniciativa de abertura à sociedade
inédita.
Interrogado por um jornalista sobre a utilidade de um movimento
deste tipo no momento de crise financeira que Portugal vive, Sérgio
Caetano afirmou que «em todos os momentos, e até mais nestes mais
momentos difíceis, as sociedades precisam de princípios morais e
éticos».
No final da audiência, Sérgio Caetano, acompanhado de Rui
Branquinho e de Manuel Afonso dos Santos, considerou a audiência
«extremamente positiva» porque «foi a primeira vez que esta causa
chegou ao poder político». «O Primeiro-Ministro ouviu-nos, e foi
para isso que aqui viemos, uma vez que nada nos era prometido, a
não ser apresentar a nossa causa», afirmou Sérgio Caetano numa
declaração no final da audiência.
O criador do Movimento do Sérgio pela abolição das touradas,
afirmou também que o Secretário de Estado da Cultura «convidou os
movimentos que defendem a abolição das touradas a participar na
elaboração do novo regulamento» das corridas de touros, para «que
melhore o respeito pelo bem estar dos animais», que tem sido
desprezado, nomeadamente depois de terminada a lide dos touros.
Sérgio Caetano, que tem 37 anos, afirmou que respeita «as
pessoas que gostam de touradas e que não vão lá para ver os animais
sofrer, mas que foram insensibilizadas ao seu sofrimento».
Manuel Afonso dos Santos referiu que a ideia de um
referendo não embaraça os defensores da abolição das touradas, até
porque um estudo de 2007 mostrou que 70% dos portugueses tinha a
mesma opinião. Contudo, afirmou, «não queremos que as pessoas que
têm esse modo de vida percam o emprego, nem queremos que as
comunidades que têm festas com touradas deixem de ter festas:
queremos que a sociedade evolua».