Portugal tem uma nova atitude perante os fogos florestais - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-07-02 às 17h18

Portugal tem uma nova atitude perante os fogos florestais

Primeiro-Ministro António Costa na sessão de apresentação de resultados das iniciativas sobre prevenção e combate a incêndios, Lisboa, 2 julho 2018 (Foto: António Cotrim/Lusa)
«Mais do que termos mais elementos e meios» para o combate aos fogos florestais, este ano «temos de novo uma nova atitude» perante ele, disse o Primeiro-Ministro António Costa na sessão de apresentação de resultados das iniciativas sobre prevenção e combate a incêndios florestais, em Lisboa.

Esta nova atitude traduz-se no cumprimento das três prioridades definidas pelo Governo em 21 de outubro de 2017: maior interação entre prevenção e combate; aumento da profissionalização e qualificação; e maior especialização e conhecimento na decisão.

Na sessão, organizada pela Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, o Primeiro-Ministro recordou que «nunca como este ano se investiu tanto na prevenção, e investir na prevenção é a melhor forma de evitar o combate».

O esforço no aumento da profissionalização e da qualificação «foi feito em todas as entidades, as do Estado, que aumentaram os seus recursos humanos, e as privadas, como os bombeiros voluntários, que aumentaram a profissionalização através das equipas de intervenção permanente».

E «nunca como este ano conseguimos um grau de especialização devidamente integrada como o que foi construído e que os exercícios realizados demonstrou ter enorme mais-valia», referindo a informação que a Força Aérea vai disponibilizar como «da maior importância» para, em tempo real, muito melhor decisão, coordenação e comando.

Trabalho para preparar o verão

António Costa recordou o trabalho da comissão «verdadeiramente técnica e verdadeiramente independente» criada pela Assembleia da República para «refletir sobre o que eram as novas condições e como deveria evoluir o sistema». 

«O Governo é um órgão executivo a quem compete tomar decisões e pô-las em prática, mas deve fazê-lo com a humildade de ouvir os outros» e, assim, pôs em execução o que a Comissão Técnica Independente propôs, disse.

O Primeiro-Ministro referiu que «ao longo destes meses houve um trabalho para preparar este verão, um trabalho das instituições do Estado, a que se juntou um trabalho significativo do País».

Assim, «nunca como este ano os cidadãos proprietários de espaços florestais fizeram um esforço tão grande para limpar as suas matas, as autarquias locais se mobilizaram tanto para a limpeza e a fiscalização das áreas que deviam ser limpas para diminuir a carga combustível na floresta, a liga e os corpos de bombeiros voluntários se emprenharam tanto na preparação, como o fez o conjunto dos outros agentes de proteção civil».

«Foi feito também um esforço muito grande de alerta e informação às populações, através de um trabalho de caracterização das áreas com maior risco de incêndio previsível para 2018», com base na informação científica.

Esta previsão científica «permitiu desenvolver o programa Aldeias Seguras de informação das populações. Pela primeira vez temos um programa focado numa coisa essencial que é cada um saber proteger-se e criar condições de segurança da sua povoação ou da sua, que é a primeira linha defesa», num território com «enorme dispersão do povoamento e casas isoladas». 

Mais e melhores meios

O País tem também «mais e melhores meios. Este ano vamos ter um maior número de equipas de intervenção permanente nos corpos de bombeiros voluntários, de equipas de sapadores florestais, de elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro da GNR, de elementos das Forças Armadas, de Vigilantes da Natureza e de Guardas Florestais», «e até temos mais meios aéreos de combate aos incêndios».

O Primeiro-Ministro disse ainda que «as tréguas que o clima nos está a dar, devem ser aproveitadas para diminuir a carga combustível que existe na nossa floresta», referindo como sintomático o facto de «grande parte dos autos levantados por falta de limpeza» terem «sido anulados porque entre o momento da autuação e o do pagamento da coima», foi feita a limpeza.