«A maior obra de linha ferroviária nova dos últimos 100 anos» - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-03-05 às 14h28

«A maior obra de linha ferroviária nova dos últimos 100 anos»

Primeiro-Ministro António Costa e Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, e Comissária da UE para os transportes, Violeta Bulc, no lançamento da linha ferroviária Évora-Caia, Elvas, 5 março 2018 (Foto: Clara Azevedo)
O Primeiro-Ministro, António Costa, o Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, e a comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulc, assinalaram o início das obras do corredor ferroviário internacional sul, com o lançamento do concurso para o troço Évora-Elvas e o começo dos trabalhos no troço Elvas-Caia, na estação ferroviária de Elvas.

O Primeiro-Ministro sublinhou que esta é «a maior obra de linha ferroviária nova dos últimos 100 anos». A obra, que integra o corredor ferroviário que tem como início Lisboa, Setúbal e Sines e como destino Badajoz, em Espanha, implica a construção de 105 quilómetros de via férrea entre Évora e a fronteira. 

Na cerimónia foi lançado o concurso para a construção dos 94 quilómetros de via entre Évora e Elvas, que terão continuidade nos 11 quilómetros do troço Elvas-Caia, cujo começo dos trabalhos foi também assinalado. 

A obra vai custar 509 milhões de euros, sendo 277 de dinheiros nacionais e 232 de fundos da União Europeia, nomeadamente do Portugal 2020 e dos fundos destinados às redes transeuropeias, e «vai reforçar a competitividade externa e a coesão interna» da União Europeia.

O corredor ferroviário internacional sul vai fazer a ligação entre os Portos de Lisboa e de Sines e a Espanha, assegurando a sua ligação ferroviária ao resto do continente europeu, devendo estar concluído em 2022.

Uma obra emblemática

O Primeiro-Ministro sublinhou o facto de a cerimónia decorrer em Elvas, uma cidade que foi a primeira linha de defesa militar contra Espanha, afirmando que a obra mostra «uma das funções fundamentais da União Europeia, que é unir aquilo que a história separou».

É também «simbólica da visão de que hoje não competimos entre nós, mas que, pelo contrário, a Europa se constrói, afirmando a sua capacidade de ser mais competitiva externamente, para poder ser mais coesa internamente».

Esta ligação «significa reduzir em 30% os custos» de quem recebe mercadorias descarregadas nos portos de Sines, Setúbal ou Lisboa, «reduzindo em 3h30 o transporte e vai encurtar a distância em 140 quilómetros», disse António Costa.

«Ao reforçar a nossa competitividade vai reforçar também a nossa coesão porque vai permitir que em regiões como o Alentejo ou a Extremadura Espanhola, vamos ter a oportunidade de termos plataformas logísticas e plataformas de produção, porque passamos a estar mais conectados com a Europa e com o Atlântico», afirmou. 

Este corredor «não vai ligar apenas toda a meseta ibérica ao Atlântico, mas permite que toda a Europa possa beneficiar do porto de águas profundas mais próximo do canal do Panamá», uma vez que os grandes portos do Norte da Europa sofrem de congestionamento, sublinhou.

A obra contribuiu para reduzir o tráfego rodoviário, auxiliando a descarbonização da economia, e aumentando a segurança rodoviária.

Mais 40% de investimento público em 2018

«O investimento na futura ligação ferroviária Évora-Elvas é simbólico do momento que se vive na economia portuguesa» e «significa um reforço do investimento público», sublinhou o Primeiro-Ministro.

«O arranque desta obra é também simbólico do novo momento que vive a economia portuguesa», disse, lembrando que o País «viveu anos de dura crise, mas conseguiu virar essa página». 

António Costa referiu ainda «o maior crescimento económico dos últimos 10 anos» em 2017, a par do «défice mais baixo em 43 anos de democracia».

«Este investimento público vai ajudar a sustentar este crescimento económico que tem estado assente, sobretudo, no investimento privado e nas exportações», acrescentou.

Recordando que em 2017, o Governo aumentou em 20% o investimento público em relação ao ano anterior e que este ano aumentará em 40%, mostrando que «chegou a hora de, em primeiro lugar, apostar no investimento público». 

António Costa referiu também que «2018 é o ano em que o Plano Ferrovia 2020 entra em velocidade de cruzeiro». O Plano Ferrovia 2020 prevê obras em 1200 quilómetros de via e um investimento superior a dois mil milhões de euros.

Os investimentos principais estão a ser realizados nos corredores internacionais (Linhas do Minho, da Beira Alta, da Beira Baixa, do Sul, e do Leste (a obra hoje lançada e incluem também a modernização e/ou eletrificação nas linhas do Douro, Oeste, Algarve e Cascais.

Mais investimento para melhor emprego

«É um investimento que contribui simultaneamente para melhores condições para o investimento privado, para internacionalização e para exportação dos nossos produtos e serviços», realçou também o Primeiro-Ministro.

«Um investimento público que contribua, não só para o crescimento, mas que ajude os investidores a investir, as empresas a exportar, e as pessoas a poderem ter mais e melhor emprego».

O Primeiro-Ministro disse ainda que o aumento de 40% no investimento público deve «refletir-se de forma positiva nos investimentos em saúde, educação e infraestruturas, para aumentar a produtividade da economia, para além de alagar a capacidade de exportar cada vez mais».

A ferrovia da linha atlântica, entre Évora e a fronteira de Caia (Elvas), terá um custo de mais de 500 milhões de euros (metade proveniente de fundos europeus), permitindo ligar Portugal e Espanha por comboio. Esta ligação visa, sobretudo, o transporte de mercadorias.

«Excelentes notícias» para Espanha

O Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que o conjunto de obras que Portugal está a desenvolver na ferrovia são «excelentes notícias» e «vão ao encontro desse objetivo de capital importância, que é unir os nossos cidadãos e melhorar o seu dia-a-dia».

Mariano Rajoy destacou o trabalho desenvolvido entre Portugal e Espanha em redor do projeto ferroviário que permitirá aumentar as ligações e o comércio de mercadorias entre os dois países. 

O aumento do comércio e a criação de zonas logísticas e industriais permitirá dar um novo impulso às regiões fronteiriças entre os dois países, um desígnio assinalado na cimeira Luso-Espanhola de 29 e 30 de maio de 2017.

O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, esteve também presente na cerimónia e, de tarde, acompanhado da comissária europeia responsável pelos transportes, Violeta Bulc, presidiu ao começo dos trabalhos de recuperação da linha Covilhã-Guarda, integrada no corredor internacional norte.