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2016-11-15 às 21h28

Combate às alterações climáticas «não permite mais adiamentos, porque todos os dias a ameaça é maior»

Primeiro-Ministro António Costa com o Chefe do Governo de Marrocos, Abdelilah Benkirane, Marraquexe, 15 novembro 2016

O combate às alterações climáticas é «o maior desafio que o mundo tem pela frente», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa no final de uma reunião com o seu homólogo marroquino, Abdelilah Benkirane, em Marraquexe, onde participa na Conferência internacional sobre Alterações Climáticas (conhecida por COP22, 22.ª Conferência das partes).

O Primeiro-Ministro acrescentou que «este é um desafio que não permite mais adiamentos, porque todos os dias a ameaça é maior».

«Por isto, é prioritário desenvolver novas políticas de mobilidade, lançar a reabilitação urbana para a melhoria da eficiência energética e trabalhar no sentido do desenvolvimento das energias renováveis», disse.

«Se um dos países segue um caminho de retrocesso, por muito importante que esse país seja, como os Estados Unidos, a pior coisa que poderia acontecer era deixarmo-nos contaminar, porque então aconteceria um retrocesso generalizado», sublinhou.

Seria «uma enorme deceção se algum dos países mais desenvolvidos do mundo, nomeadamente os Estados Unidos, recusasse agora o compromisso assumido» no ano passado em Paris, mas «não podemos ficar todos bloqueados por uma decisão errada de um país».

«Além do mais, quando um país toma decisões erradas, essas decisões podem ser sempre reversíveis: Não foram as últimas eleições presidenciais norte-americanas e, seguramente, daqui a cinco e daqui a dez anos existirão novas eleições», disse ainda.

«Acho que a mensagem a dar é que temos de prosseguir. A Europa deve prosseguir, os países desenvolvidos têm de prosseguir e a solidariedade com os países em vias de desenvolvimento - designadamente em relação aos países africanos - é absolutamente essencial», afirmou António Costa.

Energias renováveis com Marrocos

Sobre a sua reunião com o Chefe do Governo de Marrocos, o Primeiro-Ministro disse que o tema essencial foi «o aumento do potencial das energias renováveis, através da interconexão elétrica entre Portugal e Marrocos».

«Marrocos tem um enorme potencial de produção de energia solar e Portugal é dos países da Europa com uma taxa mais elevada de produção de energias renováveis, tendo capacidade de exportação. Portanto, esta interconexão energética tem uma importância estratégica», afirmou.

António Costa acrescentou que é com projetos como esse que o mundo deve continuar a responder de forma afirmativa aos desafios ambientais, não se deixando «abater pelo pessimismo ou por algum retrocesso que possa vir de decisões de outros países».

Conferência sobre o clima

Na conferência sobre o clima, em que participou na parte reservada aos Chefes de Estado e de Governo, o Primeiro-Ministro afirmou a necessidade de aplicar rapidamente os mecanismos previstos no Acordo de Paris par controlar o aumento da temperatura.

O Governo português pretende seguir um percurso de descarbonização total da economia até 2050 (isto é, eliminar as emissões de carbono, nomeadamente as da produção de energia), estando previsto que, em breve, se inicie a revisão do Roteiro Nacional de Baixo Carbono, a concluir até 2018 - uma meta que decorre do próprio Acordo de Paris.

O Primeiro-Ministro foi acompanhado pelo Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, e pelo Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro.

Crescimento económico

Respondendo a perguntas dos jornalistas sobre a estimativa do crescimento económico no terceiro trimestre (1,6% em termos homólogos e 0,8% em cadeia) divulgados pelo INE, o Primeiro-Ministro disse que estes dados confirma as perspetivas do Governo, «com forte crescimento das exportações, aceleração da economia e, mais importante que tudo, com criação de emprego».

O País «atravessou uma crise muito grande, teve uma enorme recessão e um enorme aumento do desemprego», pelo que «o esforço de recuperação será prolongado», afirmou.

«Este resultado é encorajador, estimula a seguir em frente, mas há que continuar a trabalhar. Ninguém pode estar satisfeito com uma taxa de desemprego ainda acima dos 10%, apesar de estarmos perante bons sinais e, como se vê, o País está a andar para a frente e não para trás», concluiu.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa com o Chefe do Governo de Marrocos, Abdelilah Benkirane, Marraquexe, 15 novembro 2016