Saltar para conteúdo
Histórico XXI Governo - República Portuguesa Voltar para Governo em funções

Notícias

2016-06-18 às 15h58

«Excelente momento das relações económicas» entre Portugal e França

Primeiro-Ministro, António Costa, à saída da reunião com o seu homólogo francês, Manuel Valls, Paris, 18 junho 2016 (Foto: Paulo Vaz Henrique)

«Tivemos a oportunidade de falar sobre a próxima visita do Presidente da República da França a Portugal, que terá lugar em julho, e sobre a necessidade de continuarmos a aproveitar este excelente momento das relações económicas entre os nossos países», afirmou o Primeiro-Ministro, António Costa, após uma reunião com o seu homologo francês, Manuel Valls, em Paris.

E sublinhou: «Os franceses têm hoje dois milhões de turistas a visitar Portugal, sendo o segundo maior fornecedor do País e o primeiro investidor estrangeiro». O Primeiro-Ministro lembrou ainda que «há várias empresas francesas com intenções de investir em Portugal neste momento».

«A Europa precisa de um novo alento»

«Falámos também sobre o grande desafio que se coloca à Europa na próxima semana, que é a decisão que os ingleses tomarão sobre a sua permanência ou não na União Europeia», referiu o Primeiro-Ministro, frisando que «a Europa precisa de um novo alento».

António Costa realçou também «a necessidade de se analisar a forma como a Europa precisa de reagir, independentemente do resultado do referendo no Reino Unido, para recuperar o apoio popular, a confiança dos cidadãos nas instituições europeias, e para fazer renascer esse projeto europeu que é absolutamente fundamental».

O Primeiro-Ministro francês afirmou: «Fiquei muito feliz por receber António Costa. Já nos tínhamos visto há algumas semanas, e estou muito feliz que o Presidente da República vá a Portugal em julho. Esta visita é aguardada, e espero que me dê a oportunidade, alguns meses depois, de regressar a Portugal para podermos aprofundar sempre as nossas excelentes relações em todas as áreas».

Sublinhando «os muitos laços entre França e Portugal, porque há muitos franceses que se instalaram aí e, claro, há muitos portugueses e franco-portugueses aqui em França», Manuel Valls acrescentou: «As relações entre Portugal e França estabelecem-se a nível económico, mas também na área universitária, na investigação, nas novas tecnologias e na energia».

«Não pode haver uma Europa punitiva»

Questionado pelos jornalistas sobre o apoio a Portugal contra as sanções europeias, o Primeiro-Ministro francês referiu: «Estamos muito atentos às posições do Governo português. Não pode haver uma Europa punitiva».

«Portugal fez muitos esforços que o povo português suportou. É preciso respeitar estes compromissos e, ao mesmo tempo, ter em conta os compromissos tomados pelo Governo de António Costa diante do povo», disse Manuel Valls.

Lembrando que «o Governo português constituiu uma maioria saída de eleições e tem toda esta legitimidade de quem fez compromissos», o Primeiro-Ministro francês afirmou: «Por isso, evidentemente, apoiamos muito o Governo português».

«A relação entre Portugal e França é excecional, os dois países partilham posições comuns sobre tudo, nomeadamente sobre os temas migratórios, orçamentais, políticos, mas também sobre a necessidade que a Europa ganhe meios para um projeto que faça sentido para os povos», concluiu Manuel Valls.

A reunião entre os Primeiros-Ministros de Portugal e da França ocorre dois dias antes de António Costa receber em Lisboa o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Prudência e estabilidade do sistema financeiro

Questionado pelos jornalistas sobre a eventual constituição de uma comissão de inquérito à Caixa-Geral de Depósitos, o Primeiro-Ministro afirmou: «Partilho com o senhor Presidente da República e com o senhor governador do Banco de Portugal a necessidade de sermos muito prudentes, não procurar destabilizar o nosso sistema financeiro, sobretudo aquele que é o grande pilar do nosso sistema financeiro que é a Caixa Geral de Depósitos».

«Este é um tema que está em discussão na Assembleia da República, e não compete ao Governo estar a pronunciar-se, sobretudo porque não é uma comissão de inquérito sobre a atuação do atual Governo, nem de um período da responsabilidade do atual Governo», acrescentou.

António Costa afirmou ainda: «Estou certo que, se a Assembleia da República puder ter acesso ao conjunto de informação que, ao longo dos anos, as instituições de supervisão - quer portuguesas, quer europeias - têm obtido sobre a Caixa Geral de Depósitos, acho que isso permitirá satisfazer aquilo que é legítimo, que é os deputados quererem saber o que é que se passou e, por outro lado, não repetir aquilo que já foi feito».

«Talvez isso ajude a que tudo se encaminhe no bom sentido, de nada ficar por saber, mas não se perturbar a estabilidade do nosso sistema financeiro e, em particular, a Caixa Geral de Depósitos, que é o grande pilar da estabilidade do nosso sistema financeiro», concluiu.

 

Foto: Primeiro-Ministro, António Costa, à saída da reunião com o seu homólogo francês, Manuel Valls, Paris, 18 junho 2016 (Foto: Paulo Vaz Henriques)