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As relações comerciais entre Portugal e a Argélia «são muito equilibradas, as exportações de ambos os países equivalem-se», referiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros no final de uma visita de dois dias ao país. Augusto Santos Silva acrescentou que, contudo, em 2015 as exportações diminuíram 3,5% pelo que é necessário «um novo impulso para que essa inversão de tendência que se verificou não se acentue».
A quebra nas trocas comerciais é justificada pelo impacto da queda do preço do petróleo e do gás, e «todos nós compreendemos as dificuldades por que passam os países cujas receitas principais provêm do petróleo e do gás, com as baixas dos preços dessas matérias-primas no mercado mundial», disse, acrescentando que «percebemos bem a necessidade que esses países sentem de reequacionar alguns dos investimentos que estavam a fazer».
Numa declaração à agência Lusa, o Ministro afirmou que apontou ao Primeiro-Ministro e aos Ministros com quem se reuniu «que é preciso que o apoio político ao comércio externo e ao investimento recíproco entre os dois países não só se mantenha como seja reforçado».
O Governo argelino tem adotado medidas de contenção, nomeadamente adiando prazos de conclusão de obras públicas, algumas das quais envolvem empresas portuguesas.
Santos Silva, que se reuniu com empresas que têm investimentos de monta na Argélia, informando-se das oportunidades e dificuldades que enfrentam, disse que, apesar do adiamento de projetos, «senti que havia confiança. O menor ritmo não significa paragem, mas adequação. Sabemos que estas dificuldades são sempre transitórias e é preciso olhar para o futuro».
13.º destino de exportações
Portugal é «um importante cliente da Argélia», importando «uma parte significativa do gás», e a Argélia é o 13.º destino das exportações portuguesas, com o volume das trocas comerciais a ultrapassar os 1,1 mil milhões de euros.
A Argélia é também o sexto principal destino das exportações portuguesas fora da UE, juntamente com os Estados Unidos, a China, o Brasil, Marrocos e Angola, e o terceiro africano (depois de Angola e Marrocos).
Santos Silva referiu também que Portugal «tem acarinhado muito a presença de empresas portuguesas na Argélia que trabalham para o setor público, mas também para o setor privado argelino», havendo presentemente cerca de 90 empresas portuguesas a trabalhar no país, metade em parcerias com empresas argelinas.
O Ministro disse que este «é um bom método porque proporciona transferência de tecnologia e de know-how», e cria milhares de empregos na Argélia.
Augusto Santos Silva foi recebido pelo Presidente da República, Abdelaziz Bouteflika. «É uma honra visitar o Presidente Bouteflika, que foi e é um grande amigo de Portugal», afirmou.
«Os argelinos acolheram aqui combatentes democráticos portugueses durante a ditadura portuguesa, que estavam no exílio em Argel», recordou, acrescentando que «na transição democrática, foi em Argel que se desenrolaram negociações muito importantes com vista à descolonização das antigas colónias portuguesas em África. O Presidente Bouteflika teve um papel muito importante».
Foi também o Presidente Bouteflika que assinou, em 2005, o tratado de amizade e boa vizinhança que regula as relações entre Portugal e a Argélia.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros foi ainda recebido pelo Primeiro-Ministro, Abdelmalek Sellal, e reuniu-se com o Ministro de Estado, dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional argelino, Ramtane Lamamra, e com o Ministro dos Assuntos Magrebinos, da União Africana e da Liga dos Estados Árabes, Abdelkader Messahel.
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