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O reforço do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios
Rurais (DECIR 2026) representa o maior aumento de meios da última década e deve
traduzir-se em resultados concretos na proteção de pessoas e território. A
exigência foi deixada esta segunda-feira pelo Primeiro-Ministro, Luís
Montenegro, em Ponte da Barca, na apresentação do dispositivo, após a reunião
do Conselho de Coordenação da AGIF – Agência para a Gestão Integrada de Fogos
Rurais.
"Não podemos exibir números, temos de exibir resultados" e
"a palavra de ordem é resolver", afirmou, sublinhando que o investimento
realizado em meios humanos, materiais e organizativos tem de produzir melhorias
efetivas no terreno.
No período de empenhamento máximo, entre 1 de julho e 30 de
setembro, estarão mobilizados 15 149 operacionais, 3 463 veículos, 2 596
equipas e 81 meios aéreos, configurando o maior dispositivo aéreo de sempre e
um reforço estrutural face aos 7 478 operacionais e 47 meios aéreos registados
em 2016.
Prevenção estrutural e gestão do território
A resposta aos incêndios assenta em "dois grandes pilares,
que é a prevenção e o combate". A prevenção significa proteger "as pessoas,
desde logo, o mais importante", mas também "a nossa natureza, o nosso
património histórico, a nossa cultura".
A gestão do território, o ordenamento, a transformação da
paisagem e a conciliação entre agricultura, floresta, proteção ambiental e
atividades económicas integram o modelo estrutural defendido pelo Governo.
Num contexto de preparação para "uma época do ano
especialmente exposta", a antecipação assume papel determinante. "Prevenir é
sempre o melhor caminho para evitar as catástrofes", sublinhou o Primeiro-Ministro.
A elevada pluviosidade recente poderá agravar o risco no
verão, devido ao aumento do material combustível disponível, exigindo "um
esforço redobrado até ao verão, para proteger, limpando e fomentando os
trabalhos de prevenção". A ausência dessa intervenção, advertiu, "vai-nos expor
a um risco maior do que é normal".
Mais meios exigem melhores resultados
O DECIR 2026 integra "o maior dispositivo aéreo de sempre" e
reforça equipas, viaturas e meios de rasto, aumentando significativamente a
capacidade operacional.
"Se temos mais meios, temos de ter melhores resultados",
destacou Luís Montenegro. O investimento
realizado em conhecimento, qualificação, organização e gestão "tem de ter esse
retorno" e traduzir-se em melhorias concretas, sob pena de "ser ineficiente" o
esforço desenvolvido para reforçar a capacidade do Estado.
O Primeiro-Ministro defendeu que a atuação no terreno deve
ser mais ágil e focada na resolução de problemas. "A ordem que nós queremos dar
é para andarem para a frente. Deixem-se de burocracias e tecnocracias." A
prioridade deve ser servir as pessoas, porque "assistir e servir o interesse
público está sempre à frente".
Unidade institucional e corresponsabilização
Luís Montenegro salientou que em momentos de crise, a
resposta do Estado deve ser articulada e coesa. "Nós somos para as pessoas
apenas um", afirmou, defendendo a cooperação entre Governo, autarquias,
comunidades intermunicipais, forças de segurança, Forças Armadas, bombeiros e
restantes serviços públicos.
A corresponsabilização coletiva constitui condição essencial
para o sucesso preventivo e operacional. "Não podemos pactuar com
comportamentos negligentes" e "não vamos perdoar a quem possa ousar colocar em
perigo as nossas vidas e o nosso património". O Primeiro-Ministro afirmou que a
exigência de responsabilidade aplica-se ao Estado, mas também aos cidadãos.
Reforço estrutural duplica operacionais face a 2016
O DECIR 2026 consolida o investimento estrutural realizado
na última década e reforça a capacidade nacional de resposta.
No nível de empenhamento operacional Delta, entre 1 de julho
e 30 de setembro, estarão mobilizados 15 149 operacionais, 3 463 veículos, 2 596
equipas e 81 meios aéreos, incluindo dois helicópteros Black Hawk da Força
Aérea Portuguesa.
Em 2016, o dispositivo contava com 7 478 operacionais, 1 601
veículos e 47 meios aéreos. Em 2026, o número de operacionais ultrapassa o
dobro, os veículos excedem os 3 400 e os meios aéreos ascendem a 81. As Equipas
de Intervenção Permanente passam de 165 para 770.
O orçamento do dispositivo atinge cerca de 50 milhões de
euros em 2026, face aos cerca de 38 milhões registados em 2016, e a compensação
diária dos bombeiros aumenta de 45 euros, há dez anos, para 84 euros.
O objetivo é reforçar a eficácia da resposta e assegurar "um sentimento de maior tranquilidade, de maior preparação, de maior confiança" no país.
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