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2020-04-27 às 12h22

Temos de «retomar a vida do dia-a-dia convivendo com o novo coronavírus»

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, visitam a fábrica da pneus da Continental Mabor, Famalicão, 27 abril 2020 (foto: Clara Azevedo)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «a primeira fase foi muito difícil, mas a segunda vai ser ainda mais difícil», pois «é retomar a vida do dia-a-dia convivendo com o novo coronavírus», no final de uma visita a duas fábricas: uma que adaptou a sua fora de trabalhar à novas regras de segurança e outra que se adaptou à produção de equipamentos de proteção e máscaras.

No primeiro caso, na fábrica de pneus Continental Mabor, em Famalicão, a empresa suspendeu a produção em março e retomou-a na semana de 13 de abril, com equipas alternadas a cada duas semanas. Os trabalhadores cumprem a sua quinzena de quarentena rotativa, mas a empresa continua a produzir.

No segundo caso, a fábrica têxtil Petratex, em Paços de Ferreira, adaptou a sua produção ao contexto Covid-19. A fábrica, que produzia vestuário de moda e desporto, redirecionou grande parte da sua atividade para produção de máscaras e equipamentos de proteção individual, com uma produção atual média de 100 mil máscaras por dia, que será duplicada nos próximos dias com a produção de máscaras laváveis.

Indústria adaptou-se

O Primeiro-Ministro louvou e agradeceu «este esforço da indústria nacional, que respondeu muito positivamente, reconvertendo a produção», afirmando esperar que, quando passar a crise sanitária estas produções se mantenham «porque é uma nova oportunidade para a indústria no futuro».

«É assim também que conseguimos controlar o impacto económico e social desta crise», disse, lembrando que, embora a indústria não tenha encerrado devido ao estado de emergência, «de um dia para o outro as encomendas foram canceladas e as empresas pararam» ou reduziram a atividade.

António Costa disse que «agora temos de retomar de forma gradual, progressiva e sobretudo segura», o calendário oficial sendo aprovado no Conselho de Ministros no dia 30 de abril. 

Viver diferentemente durante muito tempo

Contudo, «vamos ter de viver de forma diferente durante muito tempo, mas não vamos ter de viver permanentemente em estado de exceção constitucional. O fim do estado de emergência não significa o regresso à normalidade».

O Primeiro-Ministro referiu que o Governo definiu três condições para a retoma: «haver em abundância no mercado equipamentos de proteção individual»; «haver normas claras de higienização quer dos locais de trabalho, quer dos espaços públicos, como restaurantes, quer os transportes públicos»; «garantir que o Serviço Nacional de Saúde mantém capacidade de resposta suficientemente para um aumento do nível de contaminação resultante de menor confinamento».

Desconfinamento progressivo

Durante o mês de maio vamos «proceder ao desconfinamento, e é fundamental que todos possam ter acesso, com facilidade, quer a máscaras de uso comunitária, quer a outro equipamento de proteção individual», para que estejam seguros. «Estas máscaras são fundamentais para sairmos de casa com conforto e sem risco de contaminar os outros, de estar no trabalho ou na escola em segurança», disse. 

Todavia, «se as coisas começarem a correr mal, teremos de dar um passo atrás e voltar a adotar medidas que aliviámos. A contragosto, mas daremos – daremos os passos que forem necessários para proteger a segurança dos portugueses», sublinhou.

O Primeiro-Ministro referiu que «conseguimos controlar o crescimento exponencial da curva de doentes, mas continuamos, todos os dias temos mais novos casos», embora esteja «a diminuir o número de pessoas internadas e nos cuidados intensivos». 

O Governo está «a ver, com cada setor de atividade, quais devem ser a normas de higiene no local de trabalho, de higienização no transporte para o trabalho, e de proteção individual de cada trabalhador, que permita à economia retomar um maior ritmo de atividade, sem pôr em causa o controlo da pandemia». 

Este é «um esforço que tem de ser pedido às empresas, aos trabalhadores e ao Estado», e, para ela, «criámos linhas de apoio que visam não só ajudar as empresas a sobreviver, mas também a fazerem alguns investimentos que melhorem a proteção individual».

Razões para confiar

O Primeiro-Ministro afirmou acreditar «sobretudo na consciência das pessoas», porque «quando fomos buscar as pessoas a Wuhan, e havia uma discussão sobre se podíamos ou não manter as pessoas confinadas, nem uma delas pôs em dúvida que devia manter-se confinada».

«Os portugueses deram-nos boas razões para confiar, porque antes de serem adotadas quais medidas pelo Estado, já os portugueses estavam a adotar essas medidas». 

12 mil empresas já receberam ajuda

O Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, afirmou que «20 mil empresas já recorreram à ajuda disponibilizada pelo Estado e já foram processados cerca de 12 mil pedidos».

Sublinhando que «foram processos muito simplificados, alargados e automáticos de apoios», e compreendendo que «toda a gente gostaria que, com um mínimo de formalidades, se passasse um cheque a cada empresa que se apresentasse», afirmou que «temos de ter o cuidado de garantir que os apoios chegam aos destinatários definidos e que são aplicados como foram concebidos».