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Notícias

2021-06-08 às 14h20

Portugal tem de apostar nas tecnologias de ponta do futuro

Cadeia de Valor das Baterias Sustentáveis - Valorizar a capacidade nacional de industrialização, de inovação e de investigação em materiais avançados e baterias

«Um país que tem de recuperar décadas de atraso, que tem de fazer um esforço imenso de convergência com os países mais desenvolvidos da União Europeia, tem de apostar nas tecnologias de ponta do futuro», pois «não vale a pena definir como prioritário o que os outros já produzem», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa.

 

O Primeiro-Ministro encerrava o encontro «A Cadeia de Valor das Baterias Sustentáveis - Valorizar a capacidade nacional de industrialização, de inovação e de investigação em materiais avançados e baterias», que deu o primeiro passo na criação de um cluster para a fileira da produção de baterias sustentáveis, em Braga.

 

António Costa afirmou que o setor das baterias é uma das «áreas em que temos de ser capazes» de desenvolver as tecnologias do futuro, acrescentando que «esta cadeia de valor vai ter um enorme potencial transformador do País».

 

Matéria-prima, conhecimentos, dinheiro

 

«A primeira razão é que, pela primeira vez em muitas transições tecnológicas, somos dos países que tem melhores reservas naturais da matéria-prima que está na base desta transição», disse, referindo-se ao lítio. A segunda «é que temos outro recurso da maior importância»: conhecimento para «transformar as reservas de lítio em algo com maior valor acrescentado».

 

Esta cadeia de valor «implica a mineração, mas também o conhecimento que garante uma mineração ambientalmente sustentável, a refinação, a produção das células que a Europa não produz – o que gera maior valor acrescentado – e se limita a importar, e a capacidade de montagem final das baterias».

 

O Primeiro-Ministro disse também «há um recurso escasso em Portugal que é o capital, mas, desta vez, a União Europeia mobilizou recursos financeiros extraordinários que temos de usar. No nosso Plano de Recuperação e Resiliência, reservámos uma verba de quase 1000 milhões de euros para as agendas mobilizadoras, com potencial de crescer mais 1000 milhões se houver capacidade e procura efetiva».

 

António Costa saudou «o cluster que aqui foi constituído reunindo os territórios» - Boticas e Montalegre, de onde são extraídos os recursos «tem de ser devidamente recompensadas por essa riqueza que vai poder ser multiplicada pela aplicação do conhecimento e da industrialização» -, «os centros de produção de conhecimentos, as diferentes atividades industriais e empresariais», acrescentando que «foi bom ouvir dizer aqui, algo que é raro ouvir em Portugal: que só juntando os esforços de todos, conseguiremos».

 

Energia é crítica


O Primeiro-Ministro lembrou que «Portugal foi o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de atingir a neutralidade carbónica em 2050», um objetivo que é hoje europeu, mas que exige «muito trabalho, porque implica a alteração do modo de produção e dos nossos hábitos de vida», nos quais «a questão da energia é crítica».

 

Referindo que «Portugal é considerado pela Comissão Europeia o país em melhores condições para alcançar o objetivo da neutralidade carbónica em 2050, e em melhores condições de obter a redução das emissões de CO2 até 2030», disse que isto acontece porque o País se preparou «para esta transição há mais de 10 anos e porque houve muito investimento, em particular na produção de energias renováveis».

 

«Fomos, por isso, dos primeiros a perceber um dos maiores problemas desta transição de paradigma energético, que é o problema do armazenamento da energia», devido à necessidade «de aplicar essas energias renováveis ao modo de produção ou à mobilidade. Por isto, o tema das baterias é crítico», sublinhou.

 

Reindustrializar a Europa

 

António Costa apontou que «a pandemia deu um contributo muito importante para que a Europa realizasse bem a fragilidade estratégica em que se encontra: de repente, a Europa deu-se conta de que tinha perdido a capacidade de produção de bens tão elementares como as máscaras ou o álcool-gel».

 

E compreendeu «como a globalização tem de ser compatibilizada com uma reorganização das cadeias de valor», como «não pode ter cadeias de valor tão extensas em que o risco de perturbação num elo põe em crise a capacidade de abastecimento de bens essenciais», disse.

 

«Isto criou na Europa a prioridade de reindustrializar e de voltar a ter a capacidade de produzir bens fundamentais» na Europa. «Portugal não pode deixar de estar na linha da frente deste esforço de reindustrialização porque, como demonstrou na produção de máscaras, ainda é dos países europeus onde há capacidade industrial, saber fazer e recursos humanos aptos», afirmou ainda.


Na sessão ainda interveio o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.