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Notícias

2020-07-14 às 14h09

Nenhum cidadão da Europa percebe a ideia de que não há pressa em responder à crise

Primeiro-Ministro António Costa com o Primeiro-Ministro da Hungria, Vikto Orban, Budapeste, 14 junho 2020
«Não vejo razão para, desde que haja vontade política, não haja acordo no Conselho Europeu do final da semana», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa no final de uma reunião de trabalho com o seu homólogo húngaro, Viktor Orban, em Budapeste, no âmbito dos contactos preparatórios da reunião de Chefes de Estado ou de Governo da União Europeia.

O Primeiro-Ministro sublinhou que não conseguiria «perceber como não há vontade política perante a situação dramática que a Europa está a viver do poto de vista económico e do emprego», numa declaração à RTP.

«O que aconteceu em Portugal de estarmos a crescer acima da média europeia e agora estarmos com previsões de quebra de 10% do PIB, de termos a taxa de desemprego de 6% agora a subir para 10%, é o panorama em toda a Europa», disse. 

António Costa afirmou ainda que «nenhum cidadão, em parte alguma da Europa, pode perceber a ideia de que não há pressa em responder a esta crise, quando todos estamos a sofrer com a paralisação do mercado interno». 

Identificar dificuldades

Referindo que «todos os Primeiros-Ministros andam, neste momento, mais ou menos, a circular pelas diferentes capitais, procurando identificar as dificuldades e encontrar um acordo», acrescentou que «estas conversas são importantes porque todos temos de perceber os pontos de conflito em aberto, para fazermos o esforço de até ao próximo Conselho Europeu encontrarmos soluções para os diferentes pontos». 

António Costa disse ainda que «muitas vezes há falta de diálogo entre as pessoas, e estes contactos bilaterais permitem perceber melhor quais são as dificuldades e os pontos de vista de uns e de outros e isso facilita a construção de acordos».

Hungria

O Primeiro-Ministro disse que «com a Hungria há um problema particular, que tem a ver com a questão do Estado de direito e de qual é a relevância que deve ter» nesta negociação do programa de recuperação económica. 

«Para nós, as questões da liberdade, da democracia, do Estado de direito são centrais e devem ser resolvidas nos termos do tratado, com base no artigo 7, não se tratando de discutir simultaneamente entre valores e dinheiro, porque os valores não se compram», disse, acrescentando que «se há um problema de valores, deve ser tratado como está previsto no tratado, como uma condicionante da participação na própria União Europeia». 

Assunto diferente «é a discussão sobre este programa de recuperação económica, onde o que importa é assegurar o adequado controlo do uso dos fundos dos fundos europeus, o que é razoável e todos aceitamos, e creio que a Hungria também». 

O Primeiro-Ministro já se reuniu pessoalmente com os Chefes de Governo de Espanha, de Itália e da Holanda, e teve uma conversa com a Chefe do Governo da Dinamarca.