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2018-11-23 às 16h27

Relações entre Portugal e Angola encontram-se «no seu melhor nível»

Primeiro-Ministro António Costa e Presidente da República de Angola João Lourenço no encerramento do seminário empresarial, Porto, 23 novembro 2018 (foto: Estela Silva/Lusa)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que as relações entre Portugal e Angola se encontram «no seu melhor nível», no encerramento do Fórum Económico Portugal-Angola, no Porto, no qual esteve também presente o Presidente da República de Angola, João Lourenço, no seu segundo dia de visita a Portugal.

O Primeiro-Ministro referiu que as relações políticas bilaterais se encontram no melhor nível, exemplificando com a visita de Estado do Presidente angolano e o agendamento para o próximo ano da visita do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. 

António Costa afirmou que há uma relação de confiança entre os dois países, que «assenta na franqueza com que ambas as partes assumiram as consequências das dificuldades das graves crises económicas que as atingiram».

O Primeiro-Ministro afirmou também que «o investimento hoje em Angola não se destina apenas a investimento no grande capital intensivo ou de grandes grupos empresariais e financeiros. A aposta na diversificação da economia é um convite direto aos pequenos e médios empresários que são imprescindíveis na diversificação da economia angolana».

António Costa referiu a linha de crédito de 1 500 milhões de euros, destinada a empresas que queiram investir ou ampliar projetos em Angola, e o Programa Estratégico de Cooperação, e lembrando que o Orçamento do Estado para 2019 inclui 400 milhões de euros de garantia para recurso aos instrumentos do Banco Africano para o Desenvolvimento.

Desenvolver o agroalimentar

«Um país como Portugal que nas últimas décadas tanto progresso fez no desenvolvimento da sua indústria agroalimentar não pode deixar de olhar para um país cujo território é o triplo do território da França e só tem 6% da sua área arável plenamente aproveitada», disse. 

O Primeiro-Ministro acrescentou que «isto é uma oportunidade enorme de investimento para as empresas do setor agroalimentar», referindo que o Instituto Nacional de Investigação e Inovação Agrária «em três meses colocou em funcionamento efetivo o programa de formação de técnicos que podem ajudar Angola no desenvolvimento do enorme potencial agrícola» angolano.

António Costa disse que o «melhor sinal de uma relação única» entre dos dois países é a presença no seminário de mais de 800 empresas: «Não me lembro de um seminário com a dimensão destas quando em causa estão perspetivas de investimento e desenvolvimento da atividade comercial num país estrangeiro». 

«É muito claro que quando se trata de Angola é muito fácil mobilizar o interesse e o entusiasmo dos empresários portugueses», concluiu.

Produzir em Angola

O Presidente angolano exortou os empresários portugueses a investirem em áreas como a agricultura, as pescas, a indústria e o turismo. João Lourenço afirmou pretender que o relacionamento entre os dois países «não se restrinja apenas ao comércio», desejando «investimentos de médio e longo prazo em setores chaves da economia».

O Governo de Angola definiu o turismo, a agricultura e a indústria como os setores a desenvolver prioritariamente no período 2018-2022 e «Angola tem hoje uma nova visão sobre o papel e a importância do setor empresarial privado e do investimento estrangeiro» na sua economia.

Referindo que os dados do seu Governo mostram a «existência de 5 600 empresas portuguesas a exportar para Angola, metade das quais tem Angola como destino exclusivo», o Presidente afirmou que «pretendemos ver num futuro, não muito longínquo, maior investimento de empresas portuguesas a produzir em Angola aquilo que hoje exportam como produto acabado». 

«Se conseguirmos converter o atual fluxo de exportações em investimento na produção de bens em Angola, transferindo parte das capacidades que Portugal possui para impulsionar a economia angolana, poderemos retirar resultados muito positivos e obter ganhos recíprocos, abastecendo, não só o mercado angolano, mas também o regional», acrescentou. 

Desenvolver as duas economias

«Temos consciência que o grau de evolução e competência de vastos e variados setores da sociedade portuguesa, seja no domínio tecnológico, de gestão, de formação académica e de investigação, podem e muito potenciar um maior envolvimento ente as duas economias», acrescentou.

Angola precisa «de parcerias criativas», que permitam «gerar mais empregos», «superar as enormes carências ainda existentes» e «dinamizar o progresso social e o desenvolvimento».

O Presidente João Lourenço referiu como novas oportunidades o lançamento de concursos públicos para os caminhos-de-ferro e para o novo aeroporto internacional de Luanda.

«No setor das telecomunicações está a decorrer o concurso público para novas licenças de telefonia móvel para novas operadoras e a privatização da parte da Angola Telecom» e «estudos estão em curso para privatização do todo ou em parte de empresas públicas, incluindo algumas do setor petrolífero, industrial e agrícola, da banca e seguros», disse.