Promoção e formação de competências deve ser assumida como «prioridade maior» - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-05-04 às 15h04

Promoção e formação de competências deve ser assumida como «prioridade maior»

Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na apresentação do «Guia da Implementação para a Estratégia de Competências para Portugal», Lisboa, 4 maio 2018 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
O Governo considera que a promoção e a formação de competências deve ser assumida como «prioridade maior», tanto no plano nacional como no plano europeu, afirmou Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva.

O Ministro intervinha na sessão de apresentação do «Guia da Implementação para a Estratégia de Competências para Portugal», elaborado pela OCDE, em Lisboa, na qual participaram também os Ministros da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

O Ministro do Trabalho realçou a importância de o País formular uma «estratégia de formação e promoção de competências ao longo da vida», pois a aquisição de «competências alargadas e a sua promoção e formação ao longo da vida é o desafio estratégico para um País que tem de ultrapassar os défices que tem ao nível das qualificações».

Vieira da Silva sublinhou a importância de ter o passado em equação na criação de uma estratégia para o futuro e destacou a necessidade de Portugal ultrapassar a «fratura geracional pesada do ponto de vista das qualificações».

«Portugal tem de ter a capacidade de superar os aspetos mais negativos desta fratura e mobilizar o País para diminuir ao máximo os impactos desta fratura geracional que é de natureza secular, nomeadamente nos processos de alfabetização e literacia», disse.

Apostar na aprendizagem ao longo da vida

O Ministro realçou ainda o impacto negativo provocado pela descontinuidade das políticas, que exemplificou com a interrupção do programa Novas Oportunidades, mas referiu que é possível «dar novamente escala a um programa de aprendizagem ao longo da vida».

«Não se trata de um processo de recuperação de oportunidades que não foram concretizadas, mas de mudar o sentido das opções numa lógica de requalificação contínua dos portugueses», disse.

Vieira da Silva sublinhou também a importância da associação dos agentes económicos aos processos de formação e promoção de competências ao longo da vida: «Se queremos ter mais hipóteses de sucesso, temos de trazer para esta estratégia mais agentes que lidam diariamente com o processo de transferência do que se aprende nas áreas de qualificação e requalificação para a área de produção de bens e serviços».

«Sintonizar cidadãos e empresas no mesmo movimento»

O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, reforçou esta associação, valorizando a importância de «sintonizar cidadãos e empresas no mesmo movimento», que possa ser estruturado e constantemente adaptado para que haja «melhores mecanismos, melhores intérpretes e melhores conteúdos».

«Para que a partir do capital humano nacional possamos erguer um País que seja economicamente mais competitivo, mais coeso socialmente, mais qualificado educacionalmente e mais apto profissionalmente», acrescentou.

Tiago Brandão Rodrigues frisou que o grau de complexidade e exigência no contexto europeu tem «aumentado a necessidade de adaptação permanente do que se conhece, do que se faz e do que se julga ser necessário conhecer e fazer» no âmbito das qualificações.

«Temos de competir na Europa, o espaço mais exigente em termos económicos a nível mundial, com o tecido mais coeso em termos sociais a nível planetário e num continente que sempre se definiu pelo conhecimento que vai trabalhando e revelando», disse.

O Ministro acrescentou que Portugal e Europa precisam de um esforço extra para «melhorar a qualificação em termos de conhecimento e competências, mas também de educação e formação» com vista a oferecer uma oferta diversa e inovadora em constante atualização.

O responsável pelo Diretorado de educação e competências da OCDE, Andreas Schleicher, alertou para o facto de a população mais velha estar a ficar para trás nas qualificações em relação aos mais jovens, provocando uma «sociedade dividida».

De acordo com Andreas Schleicher, continuar a aprender novas capacidades é essencial para que esta parte da população ativa não fique para trás como consequência da digitalização.