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2019-03-01 às 13h23

Promoção da língua e cooperação são duas formas de criar um mundo de paz

Primeiro-Ministro António Costa discursa no aniversário do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, Lisboa, 1 março 2019
O Primeiro-Ministro António Costa presidiu ao aniversário do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, que decorreu em Lisboa, e no qual esteve também presente o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

O Primeiro-Ministro afirmou que o instituto Camões «tem hoje um feliz casamento entre a promoção da língua e a cooperação para o desenvolvimento, que são duas e a mesma forma de obter um único objetivo: uma aproximação entre os povos, uma relação mais profícua para o progresso comum e para a criação de um mundo de paz».

Língua e cooperação «são duas faces da mesma moeda que têm o mesmo valor e a mesma função na nossa contribuição para a sociedade global», disse António Costa, acrescentando que temos o dever dessa contribuição «porque a história ensinou o valor da paz, da promoção dos direitos humanos, do desenvolvimento, de vencer a pobreza, de aprendermos que quando nos abrimos ao mundo somos mais nós próprios e temos mais valor».

O Primeiro-Ministro disse que «o nosso País tem duas fronteiras: uma com a Espanha, outra com o mundo, e quando tivemos de escolher, escolhemos bem: escolhemos o mundo. Escolhemos o mundo de todas as formas: como descobridores, como colonizadores, e, mais recentemente, como emigrantes».

Diáspora e comunidade lusófona

«Com a nossa partida pelo mundo levámos connosco o que tínhamos, que é algo que todos os povos têm e que faz parte da sua identidade: a língua», que «é um elemento identitário que podemos partilhar com os outros», pois «podemos aprender e falar várias línguas».

António Costa assinalou que «não somos só dez milhões, não estamos confinados a este espaço, existimos onde existe uma comunidade portuguesa. E como sabemos bem, é difícil encontrar um país onde não haja portugueses – só há 17 países no mundo onde não foi ainda encontrado um português».

A função, que a língua e a cultura têm, «de ligar os cinco milhões de portugueses e lusodescendentes que estão espalhados na imensa diáspora», é fundamental, e esta diáspora «é uma enorme mais-valia que o País tem e é um dos fatores essenciais, para hoje, que já não somos colonizadores, continuarmos a estar presentes em grande parte do mundo».

A língua é também «um elemento que partilhamos com outros povos» e que «é uma língua de muitas pátrias», «falada não só com diversos sotaques mas com diferentes vocábulos e diferentes formas gramaticais», mas sendo a língua portuguesa.

O Primeiro-Ministro referiu que a projeção da evolução demográfica em África mostra que «o grande continente da língua portuguesa nas próximas décadas será o continente africano» e que a projeção da evolução demográfica do Brasil «mostra que o segundo grande continente da língua portuguesa vai ser a América».

Veículo de internacionalização

«Compreender isto é fundamental para percebermos o que temos de fazer e o valor inestimável desta língua», que «será crescentemente um veículo da nossa internacionalização: da nossa cultura, da nossa ciência, mas também da nossa economia», disse.

«Seguramente, os negócios far-se-ão mais em inglês que em português, mas o valor acrescentado de cada produto produzido em Portugal ou de cada serviço prestado por uma empresa portuguesa será tanto maior quanto a perceção do valor da nossa cultura», afirmou.

Se «um sapato italiano vale mais que um sapato português» é «porque há uma perceção global de que o design italiano é melhor», e se «uma máquina produzida na Alemanha tem um valor acrescentado maior» é «porque há uma perceção global da qualidade das máquinas alemãs».

«Isso significa que quanto maior e melhor for a perceção do valor da nossa cultura e da nossa ciência, mais valor terão os nossos bens e serviços», sublinhou António Costa, acrescentando que «não é possível haver uma diplomacia económica com valor, se não houver uma diplomacia da língua e uma diplomacia cultural, porque estas acrescentam valor ao da diplomacia económica».

O trabalho feito pelo instituto Camões «é essencial», disse, referindo que quando Portugal esteve na Feira do Livro de Guadalajara (México), quando vai estar na de Sevilha, quando o Presidente do Peru nos convidou a estar na feira de do livro de Lima, «estamos a acrescentar valor a tudo o que fazemos».

O Primeiro-Ministro felicitou ainda o instituto Camões «pelo nonagésimo aniversário e por tudo o que tem feito pela promoção da língua e da cultura e pela internacionalização do nosso País».