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2019-02-22 às 14h03

Portugal tem de ser capaz de «inovar na visão sobre os fundos comunitários»

Primeiro-Ministro António Costa na sessão de abertura de uma conferência sobre ciência, inovação e Ensino Superior, Lisboa, 22 fevereiro 2019 (Foto: Paulo Vaz Henriques)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que os fundos comunitários são imprescindíveis para transformar o tecido empresarial e referiu que o Portugal tem de ser capaz de «inovar na visão sobre os fundos comunitários».
 
Em Lisboa, na sessão de abertura de uma conferência sobre ciência, inovação e Ensino Superior, António Costa realçou que os fundos de política de coesão foram essenciais para o País ser aquilo que é hoje. Considerando ser essencial continuar a beneficiar destes fundos, o Primeiro-Ministro salientou a necessidade de reconhecer que «é preciso dar o salto em frente para dar continuidade aos dois anos de convergência com a União Europeia».
 
«Temos de reforçar a nossa competitividade, e só o fazemos com mais investimento em ciência, no conhecimento, e na sua transferência para o tecido empresarial», acrescentou, sublinhando a importância de Portugal disputar o acesso aos fundos comunitários destinados à inovação e à ciência.
 
António Costa destacou que Portugal tem de se capacitar «para disputar o acesso a estes fundos de gestão centralizada e de gestão concorrencial». «Nas negociações dos fundos, temos de garantir que nestes programas os objetivos da convergência também têm de estar presentes, com mecanismos para que instituições universitárias e empresas possam ter acesso aos fundos em condições de igualdade com aquelas que já fizeram o percurso» que só agora Portugal está a fazer.
 
«Se não formos capazes de convergir e recuperar o tempo perdido, será muito negativo para nós e um problema para a Europa. A Europa tem de ter a visão de que a convergência é um investimento para diminuir o esforço de coesão no futuro», disse.
 
Sociedade mais inclusiva e dinâmica
 
O Primeiro-Ministro realçou a visão de Portugal de crescer com base no conhecimento para garantir uma sociedade mais inclusiva e mais dinâmica e sublinhou a importância da avaliação externa feita pela OCDE no ano passado.
 
«Permitiu ao Governo e às instituições perceber onde estamos e o que temos de mudar para obter melhores resultados», disse, afirmando os dois grandes objetivos da estratégia aprovada em Conselho de Ministros: aumentar o investimento em investigação e desenvolvimento, e aumentar a participação no ensino superior.
 
A concretização das metas implica, afirmou António Costa, um trabalho completo e dinâmico que inclui a melhoria do acesso à educação pré-escolar e a redução do abandono escolar precoce no ensino secundário.
 
António Costa referiu também ser fundamental aumentar as oportunidades de acesso dos alunos ao ensino superior. Neste âmbito, o Governo decidiu implementar medidas na ação social escolar e no programa nacional de alojamento.

Investimento das empresas nos recursos humanos
 
O Primeiro-Ministro sublinhou que o aumento do número de estudantes no ensino superior «é decisivo para a democratização da sociedade, a qualificação da cidadania e para assegurar às empresas a resolução de um problema de recursos humanos».
 
«Não há empresa que invista no conhecimento que não sinalize a falta de recursos humanos em Portugal», frisou António Costa, enumerando os desafios e objetivos reconhecidos pelo Governo para aumentar a qualificação dos trabalhadores no País, seja através da atração de estudantes estrangeiros ou na recuperação de talentos que emigraram.
 
António Costa reiterou também a importância de fazer a transferência do conhecimento do sistema de ensino superior e dos centros de produção de conhecimento para o tecido empresarial. «Temos de fazer o emparelhamento entre o conhecimento produzido e as necessidades das empresas já existentes», disse.
 
«Temos de ter produtos de maior valor, com processos que melhorem ainda mais a produtividade, para sermos mais competitivos e garantir que, mesmo com o arrefecimento da procura possamos continuar a crescer com base nas exportações», afirmou.