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2018-05-03 às 18h38

Portugal e Canadá partilham visão e valores comuns sobre o mundo

Primeiro-Ministro, António Costa, Otava, Canadá, 3 maio 2018 (Foto: Paulo Vaz Henriques)
Os Primeiros-Ministros de Portugal, António Costa, e do Canadá, Justin Trudeau, afirmaram a existência de uma visão e de valores comuns entre os dois países, numa declaração feita antes do começo da reunião de trabalho entre ambos, em Otava, capital federal do Canadá.

O Primeiro-Ministro português afirmou que entre Portugal e o Canadá há «partilha de valores comuns e de uma visão comum sobre o mundo», numa declaração em inglês e francês, as duas línguas oficiais do Canadá. Estes valores estão presentes na pertença de ambos à NATO e no acordo de comércio livre de 2016.

«Queremos ambos construir mais pontes entre as pessoas, os países e os continentes», disse António Costa, que também referiu o potencial de crescimento das relações económicas, acrescentando que «esta visita oficial é uma grande oportunidade para o aprofundamento das relações bilaterais».

O Primeiro-Ministro Justin Trudeau afirmou que Portugal e o Canadá são parceiros no plano económico e político, assinalando que ao nível económico «ainda há muito trabalho a fazer».

Dando as boas-vindas ao Primeiro-Ministro de Portugal, Justin Trudeau afirmou a importância do sucesso da diáspora portuguesa (450 mil portugueses e lusodescendentes) residente no país.

Declaração política

No final da reunião entre os dois Chefes de Governo foi divulgada uma declaração política que confirma e desenvolve avisão e os valores comuns entre os dois países, quer ao nível internacional, quer ao nível bilateral.

Assim, ambos os países afirmam a necessidade de um sistema político multilateral nas relações entre países e blocos regionais: «Portugal e o Canadá ressaltam a importância vital das Nações Unidas para a manutenção de uma ordem assente nas regras internacionais que sirva como um fórum global essencial para o avanço da paz e a segurança internacionais». 

Portugal e o Canadá «reiteram o seu total apoio aos esforços do secretário-geral da ONU [António Guterres] no sentido de aumentar a eficácia da organização e de concretizar uma reforma que lhe permita lidar melhor e de forma abrangente com os desafios complexos dos dias de hoje». 

Os dois países, além de reafirmarem o compromisso com a NATO e o apoio ao acordo de livre comércio (CETA) celebrado entre o Canadá e a União Europeia em 2016, «expressam o seu compromisso no sentido de trabalharem conjuntamente para realizar plenamente o potencial do relacionamento comercial e de investimento bilateral». 

«O CETA gerará crescimento nos dois lados do Atlântico através do incremento do comércio e dos investimentos, em particular no que diz respeito a empresas startup e às áreas da tecnologia de informação e comunicação, agricultura, tecnologias limpas e energias renováveis, bem como as indústrias aeronáuticas», refere ainda a declaração política.

Ambos os países se comprometem «a aprofundar a colaboração em áreas como sejam a paz e a segurança, o comércio, os oceanos, a igualdade de género e os laços entre os dois povos».

Acordos bilaterais 

A declaração refere igualmente que os dois Governos se comprometem a fazer um acordo para modernização do sistema de cooperação da Segurança Social entre os dois países – acordo importante para a comunidade portuguesa –, que «será finalizado e celebrado com a maior brevidade possível, para continuar a salvaguardar a proteção social dos rendimentos e promover o comércio e o investimento». 

Os Governos assinaram ainda um memorando de entendimento sobre operações aeronáuticas de busca e salvamento no Atlântico, que dará origem a um acordo «que será finalizado e assinado nos meses vindouros para reforçar as relações existentes em matéria de defesa».

Os dois Primeiros-Ministros assinaram um memorando de entendimento sobre mobilidade juvenil, o qual «abrirá canais adicionais de intercâmbio entre jovens canadianos e portugueses» entre os 18 e os 35 anos.

O segundo dia da visita oficial do Primeiro-Ministro ao Canadá começou com uma reunião com a Governadora-Geral (a representante da Rainha Isabel II) do Canadá, Julie Payette, e com uma cerimónia militar.