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2019-03-19 às 18h33

Nova política industrial para a Europa tem de «reforçar coesão e promover convergência»

Primeiro-Ministro António Costa e Ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e das Finanças, Mário Centeno, durante o debate preparatório do Conselho Europeu, Lisboa, 19 março 2019 (Foto: António Cotrim/Lusa)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que a nova política industrial para a Europa tem de «reforçar a coesão e promover a convergência», durante o debate preparatório na Assembleia da República para o Conselho Europeu de 21 e 22 de março.

António Costa salientou a necessidade de a União Europeia definir uma política industrial: «A Europa tem de criar melhores condições para investir no sistema de inovação, no sistema tecnológico e na modernização tecnológica do tecido empresarial».

O Primeiro-Ministro referiu também que a nova política industrial «não pode apostar na criação de campeões europeus, reforçando as economias mais fortes do centro da Europa, com sacrifício das demais».

«A economia do futuro, assente na inovação, tem tudo a ganhar com a construção em rede, com o aproveitamento das sinergias criativas, do saber gerado em outros territórios, da capacidade de mobilizar e integrar em cadeias de valor internacional este enorme potencial que são as Pequenas e Médias Empresas do conjunto da União Europeia», acrescentou.

António Costa realçou que é desta forma que Portugal vê «o futuro da política industrial, amiga da coesão, da convergência, do crescimento e da criação do emprego, assente na inovação».

Incerteza na discussão sobre o Brexit

O Primeiro-Ministro disse também que Portugal se vai apresentar no Conselho Europeu com o desejo de que se possam dar «passos concretos para devolver confiança e previsibilidade no desenvolvimento do Brexit», a saída do Reino Unido da União Europeia, em relação à qual a posição de Portugal é clara: «Temos de evitar a todo o custo o pior dos cenários, que é a saída sem acordo».

A incerteza sobre a próxima proposta do Reino Unido não permite garantir o que será discutido, mas António Costa referiu que a possibilidade de adiamento é bem-vinda, desde que não seja «um passo de dilação que prolongue a incerteza».

«Não podemos prolongar a incerteza mas devemos ter a abertura de espírito suficiente para ajudar o Reino Unido a encontrar uma boa resposta. Ajudar o Reino Unido é ajudar-nos a todos, coletivamente na União Europeia, a evitar um cenário que seria muito penalizador para os direitos dos cidadãos e para a estabilidade da atividade económica das empresas», disse.

Promover relação saudável com a China

António Costa sublinhou que a União Europeia e a China são «duas grandes zonas económicas que têm tudo a ganhar com a cooperação», na antevisão da realização de mais uma cimeira sino-europeia.

O Primeiro-Ministro destacou a importância de «respeitar os standards de cada um e procurar convergir para o topo nos standards sociais, ambientais e de segurança alimentar que têm de ser exigidos».

«A Europa não crescerá economicamente se se fechar sobre si própria e adotar uma deriva protecionista», referiu, acrescentando que a União Europeia tem de encontrar uma forma de se «abrir ao mundo de forma exigente, estabelecendo uma ligação de seriedade com a China».