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Notícias

2019-06-17 às 14h10

Governo na homenagem às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande

Primeiro-Ministro António Costa com a presidente da Associação das Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande, Nádia Piazza, na apresentação do monumento, Castanheira de Pera, 17 junho 2019 (Foto: Paulo Novais/Lusa)
As causas dos incêndios só serão substancialmente reduzidas quando se «vencer o desafio extraordinário de revitalizar estes territórios de baixa densidade» e se «concluir a reforma da floresta», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa na cerimónia de assinatura de protocolo para a criação do Memorial às Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande, que decorreu na Câmara de Castanheira de Pera, um dos concelhos mais afetados.

O Primeiro-Ministro acrescentou que «ninguém nos poderá perdoar alguma vez se não fizermos tudo aquilo que está ao nosso alcance para enfrentar estes dois desafios. Não são dois desafios para amanhã, mas dois desafios de médio e longo prazo que não podemos adiar mais uma vez, porque se não, mais uma vez, falharemos o compromisso que temos de ter de que isto nunca mais volte a acontecer».

António Costa, juntamente com os Ministros da Administração Interna, Eduardo Cabrita, Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, do Planeamento, Nélson de Souza, das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, do Ambiente e Transição Energética, Matos Fernandes, e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, reuniu-se com os Presidentes das Câmaras Municipais de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Penela e Sertã, os mais afetados pelo incêndio de 2017.

O Primeiro-Ministro e os Ministros, bem como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, estiveram presentes na missa em memória das vítimas e na assinatura do protocolo de entendimento para o memorial, projetado pelo Arquiteto Souto Moura.

Risco estrutural

António Costa sublinhou que o risco estrutural «não diminui porque num ano a área ardida é menor» ou porque não houve perda de vidas, lembrando que «depois de 2006, muitos acreditaram que estávamos a salvo e as alterações que tinham sido feitas na Proteção Civil e as estatísticas de redução de áreas ardidas significavam que tínhamos virado uma página. Infelizmente, a página não se virou, porque as causas profundas nunca serão resolvidas nos meios de combate». 

O risco estrutural vai agravar-se devido às alterações climáticas, havendo, no entanto, alterações que apenas dependem «dos homens e das mulheres» que são quem pode alterar a paisagem, ordenar a floresta, recompô-la e geri-la.

«O direito da propriedade é fundamental, mas o direito à vida ainda é mais fundamental» e «quando há um conflito de direitos é optar por aquele que é mais importante salvaguardar. Não há nada mais importante de salvaguardar do que o direito à vida», disse.

Dirigindo-se à Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, O Primeiro-Ministro agradeceu a iniciativa de homenagem às vítimas e o alento «para obrigar a fazer a mudança». «É muito gratificante ver o apego à vida depois da tragédia e da transformação da dor na determinação de assegurar que mais ninguém sofrerá dor» semelhante.

O incêndio provocou a morte de 66 pessoas e ferimentos em 253, sete dos quais graves, destruiu cerca de meio milhar de casas e 50 empresas e levou a uma revisão dos processos e do dispositivo de prevenção e combate a fogos rurais.