«É com muita satisfação que vemos o cluster automóvel consolidar-se» e queremos atrair novos construtores - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-01-15 às 15h26

«É com muita satisfação que vemos o cluster automóvel consolidar-se» e queremos atrair novos construtores

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, na conferência Mobinov, Leiria, 15 janeiro 2018 (Foto: Clara Azevedo)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «é com muita satisfação que vemos o cluster automóvel consolidar-se com a constituição da Mobinov», na conferência «Indústria automóvel – relevância e tendências de futuro», em Leiria.

Destacando que «este é um setor da maior importância para a economia nacional», o Primeiro-Ministro acrescentou que «estamos cientes do desafio que todos enfrentamos para que este setor continue a ser estratégico para a economia nacional».

António Costa referiu ainda o alinhamento «no conjunto das políticas públicas que podem potenciar o esforço de investimento que o setor está a fazer para continuar a estar na linha da frente da economia nacional e o nosso peso internacional no setor automóvel continuar a crescer».

O Primeiro-Ministro afirmou que «temos que ter consciência de que a forma como os quatro grandes construtores que existem no País, e a forma como as centenas de empresas que participam nesta fileira se desenvolvem e desempenham a sua atividade, tem uma importância crítica». 

«Problemas nas empresas construtoras ou uma má imagem criada por qualquer uma das empresas fornecedoras é o pior contributo que podemos dar para a ambição coletiva que temos de atrair um novo construtor», disse, acrescentando que «não nos podemos limitar à ambição de conservar os que já cá estão, temos de ter a ambição de trazer novo investimento para o País».

Setor estratégico

António Costa referiu «os números da produção e das exportações do setor relativos a 2017, com um aumento de produção de 23%, atingindo 175 mil viaturas produzidas, sendo que 96% foram destinadas à exportação».

O setor automóvel «não é só de construção, é também um setor onde as componentes têm uma importância muito significativa envolvendo um conjunto muito diversificado de setores da economia: desde o têxtil à metalo-mecânica, e também, e crescentemente, aos serviços associados».

O cluster automóvel é «fundamental para o futuro da economia portuguesa e que tem que ter a maior atenção por parte das políticas públicas», «pela sua diversidade, pela capacidade de gerar emprego qualificado, de dinamizar múltiplos setores, de contribuir para o aumento das exportações, e, também, por ser um incentivo importante para o desenvolvimento da capacidade de inovação, desenvolvimento e conhecimento em Portugal».

Mais-valias 

O Primeiro-Ministro referiu algumas das características do setor, apontando, «em primeiro lugar, a capacidade que tem tido de gerar uma cadeia de valor e de integrar essa cadeia de valor». 

Assim, «se o crescimento na produção tem sido significativo, o aumento da produção de componentes tenha sido mais significativo do que o número de veículos produzidos, o que significa que a nossa indústria está crescentemente a produzir para construtores que constroem fora de Portugal», apontando o setor automóvel da Galiza.

«Em segundo lugar, a capacidade que tem de gerar mão-de-obra qualificada e a importância que, desde o ensino profissional ao ensino superior, a geração de recursos humanos qualificados tem tido no desenvolvimento desta indústria», disse.

Sublinhou também «o investimento que a indústria tem feito na formação contínua e ao longo da vida dos seus recursos humanos, o que exige, e é um contributo essencial para a melhoria da qualidade do emprego no setor».

Em terceiro lugar, o Primeiro-Ministro referiu «a capacidade de incorporação de tecnologia e conhecimento na atividade económica deste setor» que «teve, obviamente, no CEIIA uma casa agregadora, mas tem-se estendido a outros centros tecnológicos e a muitos e muitos estabelecimentos de ensino superior».

Grandes desafios

«Esta é uma indústria que nos próximos vai sofrer muitos desafios», disse o Primeiro-Ministro apontando que «a automação e a robótica introduzem desafios importantes no mercado de trabalho».

Ao mesmo tempo, «os novos paradigmas de mobilidade vão alterar a forma como a indústria se organiza – e não por acaso, muito recentemente, um grande construtor internacional veio abrir em Portugal um centro de desenvolvimento da fileira dos serviços» pois, no futuro, o veículo será «uma das componentes de um serviço integrado de mobilidade».

Exemplo dos «grandes desafios dirigidos à produção do conhecimento» são «as exigências que a redução da pegada ecológica, a melhoria dos níveis de segurança, a exigência da conetividade vão colocar». 

Vão colocar-se também desafios à indústria de componentes «porque as novas viaturas vão ter novos componentes, com outros materiais, com outras condições: um motor de um veículo elétrico tem muitos menos componentes que o motor de um veículo a combustão», «e temos que assegurar a capacidade de respondermos a esses desafios».

«Porque se queremos continuar – e temos de querer continuar – a ter a posição internacional que temos neste setor, temos que fazer o esforço de investimento que nos permite acompanhar as alterações que toda esta indústria vai ter nos próximos anos», disse António Costa.

Cooperação entre empresas e políticas públicas

Para que Portugal continue a ter uma posição internacional importante no setor automóvel «tem que haver uma cooperação muito estreita entre todos os setores económicos, as empresas e as políticas públicas». 

O Primeiro-Ministro disse que «o setor carece significativamente de investimento e, por isso, a primeira política pública que é a que se dirige a criar boas condições para o investimento», o que passa por manter os equilíbrios macro-económicos, para que «as condições de financiamento da economia possam continuar a melhorar». 

Importa também, em segundo lugar, «prosseguir a estabilização do setor financeiro, o que tem vindo a ser alcançado nos últimos dois anos e que poderá melhorar com decisões importantes que se espera que sejam tomadas ao longo deste ano na União Europeia e que completem à escala europeia o esforço de estabilização do setor financeiro os Estados membros têm feito».

«Em terceiro lugar, é fundamental que as empresas continuem a ter melhores condições para reforçar os seus capitais próprios, para poderem investir e para poderem beneficiar de melhores condições de investimento», afirmou António Costa.

A execução do programa Capitalizar nas suas diferentes vertentes «é essencial e cria melhores condições para que as empresas tenham um quadro financeiro mais sólido».

Finalmente, «não se pode ignorar a importância do financiamento público»: os instrumentos do programa Interface ou do programa Indústria 4.0 «são da maior importância para continuarmos a apoiar, como temos feito, a transformação, a inovação».

O Primeiro-Ministro referiu a capacidade que a indústria automóvel «tem tido para responder às sucessivas aberturas de concursos para financiamento do Portugal 2020», recordando que «a meta que temos para este ano é de disponibilizarmos até 2000 milhões de euros de fundos comunitários de apoio ao investimento».

Estratégia 2030

António Costa afirmou que «ao olharmos para a importância destes fundos, temos que ter presente que é inadiável a definição da estratégia de Portugal pós-2020», pois «já estamos em 2018, em maio a Comissão Europeia estará a apresentar a estratégia para a Europa 2030 e Portugal não se pode atrasar na definição da sua própria estratégia».

«A definição de uma estratégia Portugal 2030 não cabe só ao Governo» pelo que o debate foi feito com o Conselho de Coordenação Territorial, o Conselho Económico e Social, as associações empresariais, os estabelecimentos de ensino superior, e os conselhos regionais, que estão a ser ouvidos, terminando na Assembleia da República.

«Cabe ao Governo criar as melhores condições para que o conjunto da sociedade partilhe uma visão comum sobre o nossos futuro e a forma como cada componente da nossa sociedade pode contribuir para que 2030 seja uma década de convergência sustentada e continuada da nossa economia com a economia europeia», disse.

O Primeiro-Ministro referiu que «na estratégia que temos em debate há dois eixos principais transversais: o que aposta na inovação e o que aposta na qualificação dos recursos humanos – que são dois eixos fundamentais para o futuro da indústria automóvel».

Infraestruturas e recursos humanos

Um segundo nível de políticas públicas tem a ver com as infraestruturas, e «Portugal precisa de reforçar as suas infraestuturas para poder ser mais competitivo no mercado externo e mais coeso no mercado interno».

«As prioridades aqui são bastante claras: a execução dos dois ferroviários de ligação à Europa, o corredor norte, de Aveiro a Vilar Formoso, e o corredor sul, de Sines ao Caia», disse António Costa, acrescentando outros corredores como a ligação ferroviária à Galiza, «tendo em conta a importância desse corredor para, designadamente, alimentar a indústria automóvel aí sedeada».

Referiu também «a vertente portuária em que os investimentos quer em Sines, quer em Leixões, quer em Lisboa são capitais para poder assegurar a boa internacionalização deste setor».

Finalmente, «a importância estratégica do investimento nos recursos humanos e na qualidade», «porque o aumento da qualidade do capital humano é estratégico para o futuro da nossa economia e para setores como o automóvel».