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2018-09-20 às 19h34

«É altura de refundarmos os valores que unem os aliados»

Ministros da Defesa de Portugal, Azeredo Lopes, e da Noruega, Frank Bakke-Jensen, Diretora de Planeamento Político do Secretário-Geral da NATO, Benedetta Berti, e antigo Secretário-Geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, Bruxelas, 20 setembro 2018
«Estamos hoje na NATO muito melhor e mais capazes de enfrentar novas ameaças», afirmou Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, durante a conferência anual de políticas de segurança, promovido pelo think tank Friends Of Europe, em Bruxelas.

«Entendo que, porventura, era altura de, num documento breve, refundarmos os valores que nos unem e, sobretudo, definirmos com mais clareza quais são as ameaças que consideramos mais fundamentais», disse Azeredo Lopes sobre a elaboração de um novo Conceito Estratégico para a NATO.

O Ministro acrescentou que percebe «as reações de alguns que não querem debater um  novo conceito estratégico, e eu próprio queria esclarecer que não estava a falar de nenhum processo burocrático» mas sim «de uma abordagem consensual a propósito daquilo que nos une, que é infinitamente mais do que aquilo que pode eventualmente afastar-nos».

Azeredo Lopes relembrou que Portugal, membro fundador da NATO, tem mostrado solidariedade com as suas contribuições, apesar de estar «perante desafios que põem em causa a sua natureza interestadual, é uma estrutura notável que nos protegeu, que nos defendeu, durante quase 70 anos». 

«Acho que, nos últimos anos, a NATO tem dado saltos qualitativos também por influência das posições portuguesas e de outros países que se lhe juntaram, a propósito de ameaças não estaduais», nomeadamente no que concerne às posições sobre o flanco sul e a abordagem «de 360 graus», afirmou o Ministro.

Missões da ONU

Azeredo Lopes referiu ainda que «a NATO mantém uma estrutura com uma composição ainda puramente tradicional, e continua a pensar também em ameaças mais tradicionais», ao contrário das Nações Unidas, como se pode verificar pela missão na República Centro-Africana que Portugal integra.

Esta missão é um «contributo mais efetivo, mais sindicável, mais verificável, para a paz internacional do que, por ventura, outras missões com mais visibilidade mediática, mas com menos impacto na vida das pessoas, na proteção de civis», afirmou.

Na véspera de a aliança atlântica assinalar os 70 anos sobre o Tratado de Washington, o Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, o Ministro da Defesa da Noruega, Frank Bakke-Jensen, a Diretora de Planeamento Político do Gabinete do Secretário-Geral da NATO, Benedetta Berti, e o antigo Secretário-Geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, debateram «Um novo começo para uma velha aliança».