Clareza e estabilidade da política externa portuguesa são «um dos recursos principais que o País tem e um trunfo coletivo» - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-01-03 às 13h02

Clareza e estabilidade da política externa portuguesa são «um dos recursos principais que o País tem e um trunfo coletivo»

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no Seminário Diplomático, Lisboa, 3 janeiro 2018 (Foto: Nuno Fox/Lusa)
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que a política externa portuguesa se caracteriza «pela sua clareza, estabilidade e não ambiguidade, que são um dos recursos principais que o País tem e um trunfo coletivo», na abertura do seminário diplomático, que decorreu dias 3 e 4 de janeiro, em Lisboa.

O Ministro acrescentou que as principais marcas de água da política externa portuguesa – construção europeia, elo transatlântico, valorização da CPLP, ligação com as comunidades portuguesas residentes no estrangeiro – evoluíram, de um quadrilátero, para um hexágono, devido ao bom trabalho na internacionalização e à crescente naturalidade com que o multilateralismo é exercido nas organizações internacionais.

«Precisamos de incorporar no nosso discurso uma prática que já tem sido nossa: além da Europa, Atlântico, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e lusofonia, temos também cultivado a internacionalização e feito do multilateralismo uma estrutura matricial da política externa portuguesa», disse Santos Silva.

Oportunidades para 2018

«Tem sido crescentemente assumido a necessidade de trabalharmos em conjunto no sentido da internacionalização da nossa economia, sociedade, ensino superior, cultura, ensino da língua, ciência e inovação», sublinhou o Ministro, lembrando que cabe à sua área de governação «coordenar o esforço nacional nesse sentido».

Santos Silva referiu que «é responsabilidade do Governo e da diplomacia contribuir para que possamos responder positivamente ao desafio de passar de um momento para um contínuo, com maior comércio internacional e maior abertura económica, exportações mais qualificadas e em maior quantidade, mercados mais diversificados, maior investimento português no estrangeiro e mais investimento estrangeiro em Portugal».

E exemplificou, como oportunidades de internacionalização para 2018, a realização da Web Summit (maior evento de tecnologia a nível mundial) pela terceira vez em Lisboa; a escolha de Portugal como país convidado da Feira do Livro de Guadalajara, no México; as comemorações do 10 de junho nos Estados Unidos, com a deslocação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Primeiro-Ministro, António Costa, a este país; o lançamento das comemorações do V centenário da viagem de circum-navegação e a participação na próxima exposição universal.

Valor próprio do País

«Por outro lado, a forma como Portugal se tem empenhado nas organizações multilaterais, nas agendas multilaterais e no multilateralismo como uma maneira de gerir as nossas inter-relações e superar os nossos diferendos, leva a assumir que este nosso à-vontade no multilateral possa ser constituído como um traço autónomo e característico da política externa portuguesa», disse ainda o Ministro.

Santos Silva realçou que, na sua participação nas organizações multilaterais, «Portugal afirma um valor próprio, apresentando-se como um dos países mais seguros do mundo e sempre do lado da contribuição para a paz; como construtor de pontes; como uma das vozes dos micro, pequenos e médios Estados; como um ator global, numa lógica não confrontacional; como um aliado e parceiro estável e confiável, e como um país proficiente no desempenho das missões».

O Ministro referiu também como desafios para 2018: 

- a candidatura do comissário europeu António Vitorino a diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações; 

- a realização, em Lisboa, de uma grande conferência internacional para transformar a iniciativa de antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, num mecanismo de resposta rápida no ensino superior a situações de emergência; 

- a preparação da próxima conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em 2020; 

- as atividades da Aliança para a Descarbonização dos Transportes. 

Referiu ainda outras iniciativas no âmbito da Agenda 2030, da Agenda do Clima e do empenhamento na reforma do sistema das Nações Unidas.