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2017-06-03 às 15h21

Inovação é a chave para vencer os bloqueios estruturais da economia

Primeiro-Ministro António Costa com o Presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, na apresentação da segunda fase do Quadro de Investimento Inteligente 2016-2018

«Só daremos sustentabilidade ao nosso desenvolvimento fazendo o que fizeram os setores que já recuperaram da crise: assentar o desenvolvimento na inovação», afirmou o Primeiro-Ministro, António Costa, na apresentação da segunda fase do quadro de investimento inteligente de Vila Nova de Gaia.

O Primeiro-Ministro sublinhou que a inovação «é a chave para setores de tecnologia complexa, mas também para modernizar setores da economia tradicionais», como o têxtil, o calçado ou o agroalimentar.

«Num momento em que o País saiu do procedimento de défice excessivo, as instituições europeias dão um sinal de enorme confiança na economia nacional e o emprego está numa trajetória muito positiva, Portugal tem de focar-se nos bloqueios estruturais da economia», disse António Costa, lembrando que estes estão todos devidamente identificados no Programa Nacional de Reformas.

Convergência com a União Europeia

O Primeiro-Ministro afirmou também que «é preciso fazer os investimentos certos para Portugal continuar a ter o mais longo período possível de crescimento e de convergência com a União Europeia».

«Temos tido bons resultados na economia e na execução orçamental», disse António Costa, acrescentando que, «o facto do País já não viver na angústia do que vai acontecer no dia seguinte», pelo contrário, «de viver com uma consolidação orçamental sólida, cria a oportunidade de nos centrarmos no fundamental».

O Primeiro-Ministro reafirmou que o essencial é «olhar para o País e ver como resolver os problemas estruturais que nos têm bloqueado desde início deste século».

Qualificação das pessoas

«Para ter inovação, o País precisa de bons recursos humanos», referiu António Costa, realçando que «boa parte do investimento estrangeiro que hoje se fixa em Portugal o faz» por este motivo.

«A nossa competência não poderá ser só em áreas de alta sofisticação, mas há atualmente uma enorme oportunidade nessas áreas que pode e deve ser aproveitada pelos licenciados em áreas de baixa empregabilidade», disse o Primeiro-Ministro.

António Costa acrescentou que a inovação «tem sido também a chave para transformar setores tradicionais como o agroalimentar, área em que Portugal foi capaz de incorporar conhecimento no processo produtivo».

«É animador verificar que o País tem hoje consciência de que não é possível crescer unicamente com base no sistema financeiro», congratulou-se o Primeiro-Ministro.

Produção gera emprego

«Depois de vivermos na ilusão de que dinheiro gerava dinheiro, constatamos que é a produção que gera dinheiro. É necessário produzir para gerar dinheiro e criar emprego», afirmou António Costa.

O Primeiro-Ministro sublinhou que «o investimento cresceu 8,9% e, mais importante, cresceu 15% na componente de máquinas e equipamentos, o que significa que as empresas estão a investir no que pode melhorar a sua competitividade».

«É preciso, ao nível interno, continuar a desenvolver e estimular o espírito empreendedor e apoiar as startups, criando cada vez melhores condições para que se possam desenvolver», acrescentou.

António Costa lembrou que «investir em startups é correr o risco de falhar, insistir, eventualmente voltar a falhar e a investir para ter sucesso» e que «as maiores empresas tecnológicas das últimas décadas resultaram de vários insucessos até terem sucesso».

«Portugal não pode esquecer-se de que há mais mundo para além da União Europeia, como a China e a Índia, mas também como o Reino Unido, de onde muitas empresas e atividades se vão deslocalizar devido ao Brexit», a saída do Reino Unido da União Europeia. «Essas empresas terão em Portugal oportunidades únicas», concluiu.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa com o Presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, na apresentação da segunda fase do Quadro de Investimento Inteligente 2016-2018, Vila Nova de Gaia, 3 hjunho 2017 (Foto: Estela Silva/Lusa)