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2017-03-09 às 15h16

Não podemos construir a Europa sem ter um euro sólido

Primeiro-Ministro António Costa e Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, à chegada para o Conselho Europeu, Bruxelas, 9 março 2017 (Foto: União Europeia)

«Espero que haja rapidamente um consenso em torno da escolha do Presidente do Conselho Europeu, para que nos possamos concentrar nos outros pontos da agenda e, em particular, na reflexão sobre a preparação da cimeira de Roma», afirmou no Primeiro-Ministro António Costa à chegada ao Conselho Europeu em Bruxelas.

O Conselho tem, na sua agenda a eleição do seu Presidente, devendo ser reconduzido o polaco Donald Tusk. Numa outra declaração, o Primeiro-Ministro referiu que «desde o princípio que temos defendido a estabilidade nas presidências das instituições», acrescentando que «temos uma avaliação positiva de Donald Tusk».

António Costa prosseguiu referindo que «a Comissão Europeia teve a ousadia de apresentar um Livro Branco com cenários muito abertos sobre as diferentes soluções e a mensagem que nós queremos deixar é que a Europa se possa concentrar naquilo que é essencial».

O essencial é aquilo em que a União «pode representar uma mais valia-para os diferentes Estados: em matéria de política comercial para regular a globalização, em matéria de segurança e defesa, em matéria de política de migrações», apontou.

No debate parlamentar preparatório do Conselho Europeu, no dia 8 de março, o Primeiro-Ministro analisou as possibilidades que se abrem à União na sequência deste documento.

Completar a União Económica e Monetária

O Primeiro-Ministro sublinhou que «todos estes avanços têm que assentar em bases sólidas, e para termos uma base sólida temos que completar a União Económica e Monetária».

«Eu lembro-me sempre de uma frase que o então Primeiro-Ministro António Guterres disse há cerca de 20 anos, quando a moeda única foi batizada de euro: foi “tu é euro e sobre ti iremos construir a nova Europa”».

António Costa afirmou que «não podemos construir uma nova Europa sem ter essa base sólida, e vinte anos depois sabemos que para termos um euro sólido é preciso completar a União Económica e Monetária, de reforçar a política de convergência, sem o que as desigualdades se vão agravando».

«Nós precisamos de ter mais convergência, para podermos ter mais crescimento, para podermos ter mais emprego, para podermos ter uma prosperidade mais partilhada entre todos, e isto tem que estar na prioridade das nossas agendas», afirmou.

Relação com o Reino Unido

Acerca da sua reunião com a Primeira-Ministra britânica, Teresa May, o Primeiro-Ministro afirmou que «tem por objetivo que a Senhora May possa informar-nos sobre qual é o seu ponto de vista e qual é o ponto de partida da sua negociação» para a saída do Reino Unido da União Europeia.

«Como é sabido, a Câmara dos Lordes teve uma posição muito clara em matéria da proteção dos direitos dos já residentes no Reino Unido que vai de encontro ao objetivo que temos de proteger a nossa comunidade», disse António Costa.

Todavia, «a nossa relação com o Reino Unido transcende em muito essa questão - muito importante - da nossa comunidade».

Também importa muito a Portugal «os cidadãos britânicos que residem em Portugal, que os britânicos continuem a poder frequentar Portugal como um dos principais destinos turísticos, e gostaríamos que a nossa relação económica se desenvolvesse e não se encolhesse».

O Primeiro-Ministro disse ainda que «no domínio da segurança e da defesa temos muito em comum historicamente», nomeadamente «que o Reino Unido partilha connosco a dimensão atlântica, e que a sua saída da União Europeia altera profundamente os equilíbrios».

«Portanto, é necessário encontrarmos uma nova relação com o Reino Unido que nos ajude a reforçar esta dimensão atlântica», concluiu.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa e Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, à chegada para o Conselho Europeu, Bruxelas, 9 março 2017 (Foto: União Europeia)