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2017-02-27 às 10h48

«O nosso grande esforço é que os fundos vão para os parceiros certos»

Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos

A segunda fase de candidaturas à linha de financiamento para investidores de valores relativamente reduzidos (os chamados business angels) nas fases iniciais de novas empresas com rápido potencial de crescimento (as chamadas startups), poderá levar no total mais de 60 milhões de euros a estas empresas ainda este ano, entre fundos públicos e privados.

O Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, numa declaração à agência Lusa, disse que «o nosso grande esforço é que os fundos vão para os parceiros certos».

Na primeira fase do concurso, lançado em maio de 2016, houve dezenas de candidaturas recebidas pela Instituição Financeira de Desenvolvimento, das quais resultou a assinatura de acordos de financiamento com 35 entidades-veículo de investidores.

O total de fundos para investimento constituídos na primeira fase atingiu os 33 milhões de euros, dos quais 18 milhões de fundos públicos e 15 milhões de fundos privados, tendo já sido assinados contratos de investimento.

Face à grande procura, o Governo lançou a segunda fase, à qual foram submetidas 74 candidaturas de entidades veículo de Business Angels que estão a ser analisadas pela Instituição Financeira de Desenvolvimento, devendo o valor global dos fundos a constituir superar os 30 milhões de euros, dos quais 18,5 milhões de euros de fundos públicos.

A abertura deste concurso permitiu também que 272 Business Angels se tivessem credenciado. A credenciação é um procedimento obrigatório para se apresentarem a concurso, implicando o cumprimento de vários requisitos, como o compromisso de investir com capital próprio e apoiar, enquanto entidade veículo, as entidades beneficiárias, em tutoria, estabelecimento de contactos e do acompanhamento constante no desenvolvimento dos projetos.

Na primeira fase, 272 Business Angels credenciaram-se na Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI) e na segunda estão registados 74 pedidos para credenciação.

Capital de Risco

O dinheiro da Instituição Financeira de Desenvolvimento vai ser usado também em fundos de capital de risco, no âmbito do concurso que foi lançado em maio de 2016 e cujo processo de atribuição de apoios foi atrasado pela contestação dos resultados por alguns concorrentes, um procedimento normal e frequente, devendo a lista de beneficiados estar finalizada até março.

A este concurso, foram apresentadas 25 candidaturas e no final deverão ser constituídos Fundos de Capital de Risco com um valor global de cerca de 200 milhões de euros, dos quais 100 milhões são fundos privados e os outros 100 são fundos do Portugal 2020.

«O que nos move não é a execução dos fundos, mas o seu impacto. O segredo é escolher bem a quem damos. Se 10 milhões de euros forem entregues aos melhores é melhor do que serem entregues 50 milhões de euros aos piores», afirmou o Secretário de Estado.

João Vasconcelos disse ainda que «às vezes só estamos preocupados com a execução dos fundos, mas o nosso grande esforço é que os fundos vão para os parceiros certos».

«A grande procura registada, mais uma vez, confirma que existe confiança para investir em Portugal», pelo que «será avaliada a possibilidade de abertura de novo concurso de cofinanciamento de fundos de capital de risco», acrescentou.