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O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «Portugal está a acelerar o seu ritmo de crescimento e no terceiro trimestre do ano passado teve o ritmo mais alto de toda a União Europeia», durante a cerimónia de inauguração da nova sede do Banco Santander Totta, em Lisboa, que teve a presença da presidente do grupo, Ana Botin.
O Primeiro-Ministro referiu que «ainda ontem o Instituto Nacional de Estatística revelou que a confiança dos consumidores atingiu um máximo que não atingia desde o ano 2000. E nos dados que revelou sobre o clima económico mostrou também que tínhamos retomado um clima ascendente. Esta confiança dos consumidores e a melhoria do clima económico, resulta necessariamente de dois fatores»:
Melhor crescimento de toda a União Europeia
«Em primeiro lugar do facto de a economia portuguesa, depois de alguma desaceleração desde o segundo trimestre de 2015, ter, ao longo do ano de 2016, vindo progressivamente a acelerar o seu ritmo de crescimento, tendo culminado no terceiro trimestre de 2016 com o melhor crescimento de toda a União Europeia e, de acordo com os dados de que já dispomos relativamente ao quatro trimestre, podemos mesmo antever que o quatro trimestre não só tenha consolidado, como tenha permitido acelerar um pouco relativamente aos dados do terceiro trimestre».
«Estas indicações resultam de um crescimento equilibrado, quer entre a procura interna e a externa, quer dentro da procura interna, entre os níveis de consumo e os níveis de investimento».
«E todos os dados que temos relativos ao investimento, quer na procura de fundos comunitários, quer na importação de máquinas e equipamentos, quer na contratação de pessoal indicam que, de facto, as empresas estão a investir».
«Os dados do emprego são, aliás, claríssimos: ontem também, o INE revelou os dados provisórios do desemprego relativos a dezembro do ano passado, indicando que teríamos tido uma taxa de desemprego de 10,2% o que significaria, a confirmarem-se estes números, uma redução de mais de dois pontos percentuais do desemprego ao longo do ano de 2016. E os dados revelam que em termos líquidos foram criados em Portugal no ano passado 100 mil pontos de trabalho», sublinhou António Costa.
Consolidação das finanças públicas
Em segundo lugar, «estes dados da economia, do crescimento nas exportações, do emprego, têm sido acompanhados de bons resultados na trajetória de consolidação das nossas finanças públicas. Hoje é seguro que o défice de 2016 não será superior a 2,3%, o que é não só o défice mais baixo dos últimos 42 anos, o défice mais baixo de todo o nosso período democrático, como é um défice confortavelmente abaixo dos 2,5% que tinham sido fixados como limite pela União Europeia».
«E essa consolidação do défice foi feita num contexto em que foi possível desenvolver uma trajetória de devolução de rendimentos às famílias, seja por via de salários, seja por via das pensões, de redução da carga fiscal, e que, não obstante, permitiu este resultado historicamente assinalável».
«E que prosseguiremos, ao longo deste ano, com um objetivo muito exigente, que está fixado do OE para este ano, a redução do défice para 1,6% do nosso PIB», afirmou o Primeiro-Ministro.
Redução da dívida
«É certo que, quer esta evolução positiva na economia, quer a evolução positiva na consolidação orçamental, desenvolvem-se num quadro em que temos um nível de endividamento público e privado elevado. Não é um problema novo, a diferença é que agora está a melhorar».
«A dívida líquida, no ano passado, reduziu-se um ponto percentual, de 121,6 para 120,6, e foi a primeira vez que houve esta inversão na nossa dívida liquida», sublinhou.
«E relativamente à dívida bruta, se nós excluíssemos duas medidas irrepetíveis de apoio ao sistema financeiro, que tiveram a ver com a operação do Banif e com a capitalização da Caixa, também já no ano passado a dívida bruta teria sido reduzida».
«Mas a sustentabilidade desta trajetória é marcada não só pelo objetivo que temos de esta redução prosseguir, tendo uma dívida bruta, no final deste ano, que rondará entre os 128,3 e os 127,8 do PIB, mas assente sobretudo numa gestão orçamental que tem libertado saldos primários positivos: 2% em 2016, e que, este ano, julgamos poder aumentar para 2,8%».
«Ora, libertando saldos primários e mantendo uma trajetória de crescimento, nós conseguiremos positivamente à gestão desta dívida, porque o Estado dispõe hoje de margens de conforto na sua liquidez, e sobretudo também porque a evolução do sistema financeiro, felizmente positiva, tem permitido não só antever que não se repetirão as necessidades que justificaram no ano passado o aumento da dívida, como permitirão libertar recursos, seja pela devolução de CoCos [obrigações convertíveis], seja pela devolução da garantia do BPP, que nos permitirão novas antecipações do pagamento das amortizações da dívida, designadamente ao FMI».
O Primeiro-Ministro afirmou que em Portugal temos «um contexto que nos é positivo e que nos deve fazer concentrar naquilo que é essencial: a execução do nosso Programa Nacional de Reformas que é a condição essencial para podermos ter crescimento sustentável, que gere riqueza, que permita ter uma prosperidade partilhada, que permita continuar a criar emprego e que permita o Pais encarar com confiança o seu futuro».
«A execução do PNR não pode ser algo abstrato, tem que ser algo de concreto. E os seis pilares do PNR, desde a qualificação dos recursos humanos à inovação, à modernização do Estado, à capitalização das empresas, à redução das desigualdades, à valorização do território, desdobram-se num conjunto de programas concretos e cada um desses programas num conjunto de medidas».
Indústria 4.0
«Ainda ontem tive oportunidade de apresentar o resultado final de um trabalho que desenvolvemos desde abril, em parceria com a Deloitte, em parceria com a Cotec, em parceria com múltiplas empresas de vários setores dos serviços e da indústria sobre a digitalização da economia, e que é um programa que designámos Indústria 4.0».
«É um programa que vai mobilizar, nos próximos quatro anos, mais de 4500 milhões de euros de investimento, de forma a aproveitar plenamente aquela que é uma grande oportunidade que temos para o nosso futuro, que é termos pela primeira vez uma revolução industrial para a qual não partimos em desvantagem, porque nem a distância, nem a carência de recursos naturais, nos desfavorecem».
«Mas pelo contrário, em que partimos com a vantagem de termos uma rede de infraestruturas de comunicações de excelência e de termos recursos humanos de excelência para podermos aproveitar esta oportunidade da industria 4.0», sublinhou.
«As 60 medidas que constam deste programa são um exemplo daquilo que nos temos de concentrar em fazer, porque só fazendo nós resolvemos os problemas que temos pela frente».
Confiança do Santander em Portugal
«Quero por isso sublinhar mais uma vez a importância da atitude de bancos como o Santander, que, quer na más horas, quer nas boas horas, sabem bem que países que têm 800 anos de história têm sempre muito mais anos de história para construir, e que, portanto, vale a pena confiar».
«E sei bem que esta confiança é uma confiança séria e de compromisso com Portugal. Ouvimos aqui as palavras de confiança de Ana Botín. (...) Eu tive a ocasião e o privilégio de a ouvir há duas semanas, em Davos, também a falar sobre Portugal e sobre a Espanha».
«E devo dizer que em Davos foi ainda mais clara na expressão da sua confiança sobre Portugal do que hoje. (...) E por isso queria agradecer-lhe a confiança que expressa não só dentro de Portugal mas também no estrangeiro», disse o Primeiro-Ministro.
«Para terminar, queria dar também uma palavra de elogio ao arquiteto Frederico Valsassina pela excelência de mais um trabalho realizado na cidade de Lisboa, E dizer-lhe que este edifício, para mim, simboliza duas verdades muito importantes: a primeira é que há sempre uma solução para qualquer problema, e a segunda é que há valor onde menos se espera». (...)
Foto: Primeiro-Ministro António Costa com a presidente do Banco Santander, Ana Botín, na inauguração da nova sede do Santander Totta, Lisboa, 31 janeiro 2017 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
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