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2017-01-12 às 15h53

Autoridades indianas «com enorme empenho» em desenvolver parceria com Portugal

Primeiro-Ministro António Costa recebido por crianças de uma escola durante a visita ao Bairro das Fontaínhas, em Pangim, Goa, 12 janeiro 2017

«Há agora outro clima entre Portugal e a Índia - e é preciso saber aproveitá-lo», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa em Goa, no final da sua visita oficial de seis dias à Índia.

O Primeiro-Ministro referiu que «das autoridades políticas há um enorme empenho» e «o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, foi inexcedível em relação à vontade que tem em utilizar Portugal como um parceiro estratégico para a cooperação com países terceiros». «No caso da Europa, na sequência do Brexit, Portugal pode ser a sua plataforma na União Europeia», acrescentou.

«Penso que há grande interesse em trabalhar com Portugal em áreas como as energias renováveis, na execução de infraestruturas (área em que o Governo indiano tem um programa de investimento gigantesco), quer rodoviárias, quer na gestão de resíduos e da água. São grandes oportunidades para as empresas portuguesas», disse António Costa.

O Primeiro-Ministro afirmou também que entre os objetivos da visita havia também «uma vertente económica, abrindo portas a mais exportações e à atração de investimento», e uma «vertente ao nível da cooperação científica e tecnológica».

«A porta ficou aberta»

«Todos os contactos que tivemos, quer com autoridades políticas, quer nos fóruns empresariais, dão-nos boas perspetivas de que a porta ficou aberta e há disponibilidade para se utilizar essa porta», sublinhou António Costa.

«Para que esta minha visita à Índia não fique por aqui, deixei um convite ao Primeiro-Ministro, Narenda Modi, para que visite Portugal», disse o Primeiro-Ministro, acrescentando que «nessa altura faremos um balanço sobre o já realizado e poderemos lançar novas pistas para o futuro».

«Assim ficaremos com o devido compromisso do lado português e do lado indiano para podermos concretizar tudo o que foi acordado» durante a presente visita, afirmou, acrescentando que o Primeiro-Ministro indiano «mostrou grande empenho» em concretizar a sua visita a Portugal.

O Primeiro-Ministro referiu também que as suas origens goesas, «claramente, permitiram criar uma empatia que permitiu elevar esta visita à Índia à natureza de Estado e criar uma relação especial com as autoridades indianas, que mostraram um grande interesse na cooperação».

«Virar a página relativamente ao passado»

«Tratou-se sobretudo de virar a página relativamente ao passado», reiterou, referindo-se à presença colonial portuguesa em territórios do subcontinente indiano, acrescentando que «não foi por acaso que, pela primeira vez em 40 anos, um Primeiro-Ministro português visitou Goa».

As anteriores visitas dos Presidentes da República Mário Soares (1992) e Cavaco Silva (2007), e do Primeiro-Ministro José Sócrates, na qualidade de presidente do Conselho Europeu (2007), não incluíram deslocações a Goa, onde a presença política portuguesa se manteve entre 1505 e 1961, data em que a Índia ocupou e integrou os territórios portugueses.

«Não é por acaso que podemos agora ter um Centro de Língua Portuguesa num local central de Pangim, com instalações condignas, ao mesmo tempo que se verifica um movimento crescente de aprendizagem do português, quer na universidade, quer nos liceus de Goa», disse também.

«Tirar partido destes 500 anos de História em comum, pondo os olhos no futuro»

No último dia da sua visita oficial de seis dias à Índia, incluindo dois dias em Goa, o Primeiro-Ministro visitou duas fábricas, uma de fibra ótica, outra de cabos, do grupo industrial Birla, um dos maiores do país, que tem uma parceria de investimento com o grupo Visabeira desde 2015.

Os grupos indiano e português estão a preparar a instalação de uma fábrica de cabos em Moçambique e pretendem concorrer à expansão da rede indiana de fibra ótica no âmbito do seu projeto de cidades digitais.

António Costa visitou ainda a Sé Catedral e a Basílica de Bom Jesus em Velha Goa, e o Templo de Manguês, o mais representativo da religião hindu em Pangim, capital do Estado de Goa, bem como a delegação da Fundação do Oriente em Pangim, onde entregou, a título póstumo, a medalha de mérito cultural ao historiador, professor universitário e escritor Paulo Varela Gomes, na presença do Ministro da Cultura, Castro Mendes.

O Primeiro-Ministro apontou a qualidade única da cultura goesa como síntese das tradições religiosa hindu, muçulmana e cristã que «depois soube reinventar-se». «Paulo Varela Gomes deixou-nos uma nova visão da História dos portugueses no Oriente, em particular na Índia. Temos de tirar partido destes 500 anos de História em comum, pondo os olhos no futuro», disse.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa recebido por crianças de uma escola durante a visita ao Bairro das Fontaínhas, em Pangim, Goa, 12 janeiro 2017