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O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que é essencial que os empresários percebam que, para terem maior produtividade, «precisam de trabalhar com as universidades, com os politécnicos, com os centros de conhecimento», durante uma visita ao Instituto Pedro Nunes e às empresas Perceive3D e Take The Wind, em Coimbra.
O Primeiro-Ministro disse também que Portugal tem «emprego a menos para doutores, mestres e licenciados», acrescentando que «é essa a transformação de mentalidade e reorientação do nosso esforço produtivo que temos que fazer para conseguir vencer».
«Não temos licenciados e mestres a mais», embora haja desempregados com qualificações superiores, pois o posicionamento de Portugal no mercado global tem de ser distinto do que tem sido até agora, uma vez que a ideia de que o País vai ser competitivo através de baixos salários «é uma perda de tempo, é andar para trás, é uma distração relativamente ao caminho».
António Costa afirmou que este caminho é valorizar o conhecimento produzido nas universidades e nos politécnicos, desenvolver incubadoras de empresas novas e centros tecnológicos e apoiar das empresas no investimento em inovação.
Competitividade assente na inovação
A chave para a competitividade do País «só pode assentar numa palavra: inovação, que resulta do conhecimento», sublinhou António Costa.
«O País tem tido boas notícias nos últimos tempos: O crescimento acelerou, a União Europeia cancelou o procedimento de aplicação de sanções, anunciou que vamos sair do procedimento por défice excessivo, aprovou o Orçamento, o desemprego tem vindo a baixar», referiu.
«Mas tudo isso só é sustentável se, em vez de ficarmos satisfeitos com o que conseguimos, percebermos que isso só tem de servir como incentivo para podermos fazer mais e podermos fazer melhor», disse.
O Primeiro-Ministro disse, citando o fado, que Coimbra «não tem só encanto na hora da despedida», «tem muito mais encanto na hora da descoberta», tanto mais que nas «universidades mais antigas há um enorme saber acumulado».
Esse saber «não está só acumulado na Biblioteca Joanina», mas também em espaços como o Instituto Pedro Nunes, onde o conhecimento «se traduz na valorização económica».
Este instituto, entre 1995 e 2015, ajudou a criar 240 empresas, que representam um volume de negócios de 130 milhões de euros e 2000 postos de trabalho direto. A taxa de sobrevivência das empresas criadas neste instituto ronda os 75%.
Fazer os investimentos certos
O Primeiro-Ministro visitou também a empresa Critical Software, em Coimbra, que começou como uma startup no Instituto Pedro Nunes.
«A Critical Software não é só exemplo da nossa capacidade tecnológica», é também exemplo de que, «quando o País acredita e faz os investimentos certos é, de facto, um país que resolve qualquer problema» e que «não encontra nenhum impossível», afirmou António Costa.
Recordando que a empresa tem tecnologia sua num veículo espacial a orbitar em Marte, o recordou que foi também esta empresa que, em 2006, criou o sistema de controlo de fronteiras que permitiu o alargamento do espaço de livre circulação na União Europeia (espaço Schengen) em 2007.
Quando, na altura, uma empresa alemã não conseguiu concluir o sistema de informação em tempo útil, Portugal, através do sistema criado pela Critical Software, apresentou uma a solução provisória, mas que se manteve até há dois anos, referiu.
«Portugal tem a capacidade do saber de produzir nas universidades» e capacidade de empreender para «transformar esse conhecimento em produtos, em serviços, em soluções para resolver os problemas», sublinhou.
António Costa fez estas visitas no âmbito da «Agenda mais Crescimento». Esta foi a segunda jornada desta agenda, tendo a primeira sido à fábrica da Renault em Aveiro, que vai fazer um investimento na produção de novas caixas de velocidades.
Foto: Primeiro-Ministro António Costa e Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, durante a visita a empresas, Coimbra, 23 novembro 2016 (Foto: Paulo Novais/Lusa)
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