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2016-10-11 às 10h48

Ligação aérea entre Macau e Portugal «faria todo o sentido»

«A primeira ligação aérea entre Portugal e a China vai ser a partir de Pequim, mas penso que Macau não está fora de questão», afirmou o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Estas declarações foram feitas em Macau, após a assinatura de dois protocolos com o Governo macaense nas áreas do turismo e da segurança alimentar, durante a Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O Ministro encontra-se numa visita oficial de quatro dias à China com o Primeiro-Ministro, António Costa, e com o Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes.

«Penso que há negociações em curso com várias outras companhias aéreas, e que - se Pequim vai servir diretamente o norte da China - seria muito interessante que houvesse voos também da parte sul. Faria todo o sentido que fossem a partir de Macau», acrescentou o Ministro. A rota entre Hangzhou (capital de Zhejiang), Pequim e Lisboa deve começar a operar em junho de 2017.

Lembrando que já não é a primeira vez que se discute a hipótese de uma ligação aérea entre Portugal e Macau – que apenas vigorou entre 1995 e 1998, sendo depois abandonada por falta de rentabilidade -, Manuel Caldeira Cabral referiu que «tem é de haver interesse das companhias. Há certamente interesse por parte do Governo em promover essas rotas».

Turismo e segurança alimentar

Trazer mais turistas chineses e de Macau a Portugal e levar mais portugueses a Macau é o objetivo do protocolo assinado na área do turismo: «Queremos, de facto, receber bem mais turistas chineses. Vamos ter de aprender como acolher melhor os turistas chineses – algo que Macau sabe já fazer muito bem – porque, com a rota direta, estou certo que o número vai aumentar muito e é uma oportunidade muito interessante», disse o Ministro.

Manuel Caldeira Cabral lembrou que «o turismo não é só hotéis, mas também produtos que vêm dos hotéis, atividades de lazer, produtos como o vinho português, de que Macau faz uma montra tão boa. Há muitas empresas de Macau com interesse na área do turismo português».

Na área da segurança alimentar, o Ministro referiu que «a colaboração se centra na cooperação técnica e científica, abrindo espaço para que as agências de segurança alimentar possam fazer visitas, ter ações de formação conjuntas, intercâmbios de pessoas, para que possam aprender mais».

Sublinhando a boa capacidade tecnológica dos laboratórios portugueses, Manuel Caldeira Cabral relacionou os dois protocolos, já que «a segurança alimentar é não só determinante para a confiança da população, como para a daqueles que nos visitam».

«A segurança alimentar é muito importante para a confiança da população nos estabelecimentos de restauração, nos estabelecimentos hoteleiros, é muito importante para a afirmação de um turismo de qualidade», disse.

Portos

Questionado pelos jornalistas sobre o acordo sobre o porto de Sines, celebrado entre o Haitong Bank, o China Development Bank e a Agência para a Internacionalização e Comércio Externo de Portugal (AICEP) no dia 9 de outubro, o Ministro afirmou que «vai ajudar empresas chinesas que queiram desenvolver projetos em Sines a terem já uma linha de financiamento, maior facilidade em encontrar financiamento para esses projetos».

«Há outros projetos ligados ao porto, como a ligação ferroviária a Espanha e toda a rede europeia ferroviária, que estão também a atrair interesse de grandes empresas chinesas», concluiu.