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2016-09-30 às 22h06

Estado confia coleção Miró ao Porto

Coleção Miró, 30 setembro 2016
Inauguração da exposição «Joan Miró: Materialidade e Metamorfose»

O Primeiro-Ministro António Costa e o Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, estiveram presentes na inauguração da exposição «Joan Miró: Materialidade e Metamorfose», que foi presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Na inauguração da exposição estiveram ainda presentes o Ministro da Cultura, Castro Mendes, e o Presidente do Governo autónomo da Catalunha, Carles Puigdemont e Casamajó, de onde Miró era natural.

O Presidente da República saudou a «decisão do Governo, que soube compreender a situação existente e acolher o que melhor se ajustava ao interesse nacional». O Porto, «capital da liberdade e criatividade cultural» é o melhor para acolher «uma coleção de Joan Miró, ele próprio exemplo de cultura e liberdade», acrescentou.

O Primeiro-Ministro reiterou que «estes quadros, que vieram à posse do Estado por nacionalização de um banco, não vão ser vendidos», e «decidimos que estas obras ficarão na cidade do Porto e ficarão na cidade do Porto porque o Porto é uma marca mundial, uma marca mundial pelo vinho a que deu nome, mas é uma marca mundial pela excelência da sua criação artística ao longo dos séculos, pela excelência da criação artística contemporânea».

Coleção confiada à Câmara Municipal do Porto

António Costa acrescentou que é com «um enorme prazer que o Estado confia à Câmara Municipal do Porto a coleção de que é proprietário, estando certo de que nas suas mãos esta coleção estará (…) sobretudo aberta aos olhos de todos aqueles que queiram visitar» Portugal e «conhecer melhor Joan Miró». A Câmara do Porto anunciou, posteriormente, que a coleção ficaria no Museu de Serralves.

Dirigindo-se ao Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, o Primeiro-Ministro disse que «a partir de hoje, o Porto não partilha com Espanha só as águas do Douro, passa também a partilhar com Espanha a presença, a oportunidade de conhecer e a oportunidade de divulgar para todo o mundo a obra de um grande espanhol que produziu uma obra que é hoje património comum de toda a humanidade».

«Nesta época, onde tantas vezes temos dúvidas sobre a hierarquia dos valores, a história recente desta coleção ajuda-nos a pôr os valores na sua devida hierarquia. Com esta coleção ficámos a saber que os bancos, por muito valiosos que sejam, podem-se ir, mas há algo que fica e que é permanente e de um valor intangível, que é o valor da criação cultural da obra dos 80 quadros que Joan Miró pintou e que nos legou para a nossa fruição», afirmou ainda.

Mariano Rajoy afirmou que a exposição de quadros do artista espanhol Joan Miró na Casa de Serralves representa «um dos maiores acontecimentos culturais deste ano na Europa». «Como espanhol, estou reconhecido. A obra de Miró não poderia estar em melhor lugar e em melhores mãos», disse acrescentando não ter «nenhuma dúvida de que esta exposição vai ser um grande êxito».

A coleção de quase oito dezenas de trabalhos do pintor catalão entre 1924 e 1981, pertenceu ao antigo Banco Português de Negócio, pertencendo agora ao Estado. O Primeiro-Ministro anunciou, no dia 27 de setembro, que a coleção seria instalada no Porto.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa, Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e Presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, na inuguração da Coleção Miró, Porto, 30 setembro 2016 (Foto: Clara Azevedo)