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2016-09-09 às 16h33

União Europeia tem de dar respostas concretas à angústia dos cidadãos

Primeiro-Ministro António Costa com os Presidentes da República da França e de Chipre, os Primeiros-Ministros de Itália, Malta e Grécia, e o representante do Governo de Espanha, Atenas
Primeiro-Ministro na cimeira da Europa mediterrânica

O Primeiro-Ministro António Costa sublinhou a existência de um entendimento dos líderes dos países mediterrânicos da Europa de que a União Europeia deve reforçar o investimento.

O Primeiro-Ministro acrescentou que «as condições para reforçar o investimento têm de se adaptar às condições específicas de cada um dos países», porque alguns membros da UE «têm largos excedentes e tinham, aliás, o dever de investir mais», enquanto outros têm limitações para o fazer.

António Costa disse também que «é prioritário que saibamos sair de Bratislava com respostas concretas ao maior fator de angústia para os cidadãos, que tem a ver com as perspetivas de crescimento económico na Europa, de criação de emprego, em particular para os jovens, e perspetivas de termos futuro numa comunidade partilhada».

O Primeiro-Ministro participou na reunião dos Chefes de Estado ou de Governo de França, Itália, Malta, Grécia e Chipre, e do representante do Governo espanhol, em Atenas, para preparar a cimeira informal dos Estados membros da União Europeia que se realiza na próxima semana em Bratislava, Eslováquia.

«Não temos de ter vergonha de ser do sul»

«Não temos de ter vergonha de ser do sul. Temos de saber assumir na UE uma posição que defenda também a perspetiva de todos estes países. É a melhor forma que temos para que a Europa no seu conjunto esteja melhor posicionada no mundo», afirmou.

António Costa disse ainda que é do conjunto de pontos de vista e sensibilidades dos vários países que se faz uma Europa unida; caso contrário haverá «uma Europa a várias velocidades ou fragmentada em várias regiões».

Os líderes europeus devem juntar-se nas suas famílias políticas ou a nível regional para combinar diálogos com vista a uma resposta concertada aos vários desafios que a União Europeia enfrenta, referiu.

Insatisfação dos cidadãos

«É esse esforço que temos de fazer para que não possamos continuar a ignorar os sinais inequívocos que os cidadãos vão dando de insatisfação relativamente ao estado em que a Europa se encontra», disse.

«O Brexit [saída do Reino Unido da UE] não foi um acaso, a subida da extrema-direita em muitos países não é um acaso, a subida de populismo noutros países não é um acaso», acrescentou.

A cimeira realizada em Atenas - a primeira de Chefes de Estado e de Governo de países mediterrânicos da UE - «não é para dividir, é para unir».

À partida para Atenas, o Primeiro-Ministro afirmara que a reunião é «importante porque é a primeira vez que os países do sul se reúnem para apresentarem uma visão de conjunto, tal como já fazem os países do leste e, também, quando se sabe que os Estados-membros do norte têm uma atuação bastante articulada».

A realização desta reunião faz acreditar que se «abandonou a lógica entre os países do sul em que nenhum se queria parecer com o vizinho do lado».

«Assumimos agora com orgulho que fazemos parte da mesma região no quadro da União Europeia. Os países do sul têm obviamente realidades próprias, ou desafios económicos e sociais de caráter específico. Mas, este encontro ajudará a unir e não a dividir a Europa na diversidade daquilo que é a sua realidade», acrescentou.

Reforço da unidade da UE

Em Atenas, o Primeiro-Ministro repetiu que esta reunião serviu como «forma de reforçar a unidade da UE sobre uma região da Europa que é absolutamente crucial».

A Europa mediterrânica ou do sul «é uma zona de fronteira externa muito extensa, de Chipre a Portugal, sob uma forte pressão. É necessário agir conjuntamente para a proteger».

«Temos de ter aqui um esforço de solidariedade partilhada, designadamente para responder à crise migratória, que tem atingido muito fortemente a Grécia, mas também como a Itália, e a Europa tem de responder como um todo para poder assumir as suas responsabilidades internacionais de assegurar proteção a quem dela carece», declarou.

Preocupações de segurança, crescimento e emprego

Os líderes da Europa mediterrânica aprovaram uma declaração que afirma a necessidade de aumentar a segurança interna e externa na União, de reforçar a cooperação no Mediterrâneo e com os países africanos, de impulsionar o crescimento e o investimento na Europa, de reforçar os programas de emprego para a juventude, e de enfrentar os desafios da imigração.

Refere ainda que «a notificação da intenção de o Reino Unido se retirar da União Europeia deve ser feita tão cedo quanto possível» - a saída do Reino Unido é um dos assuntos a discutir na cimeira informal -, esperando que, no futuro, a União Europeia tenha «o Reino Unido como um parceiro próximo».

A próxima reunião cimeira deste grupo de países realiza-se em Portugal.

O Primeiro-Ministro espanhol, Mariano Rajoy, fez-se representar devido à situação institucional no seu país, cujo governo está em gestão, tendo sido representado pelo Secretário de Estado para os Assuntos Europeus, Fernando Eguidazu Palacios.

No domingo, António Costa participa num jantar a convite da Chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim, naquele que será o terceiro encontro entre os dois desde que é Primeiro-Ministro.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa com os Presidentes da República da França e de Chipre, os Primeiros-Ministros de Itália, Malta e Grécia, e o representante do Governo de Espanha, Atenas, 9 setembro 2016