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O Primeiro-Ministro António Costa manifestou a solidariedade do Governo às populações atingidas pelos incêndios florestais, nomeadamente às pessoas que perderam bens, ao dispositivo de combate aos fogos e às forças de segurança e de investigação criminal, alertando o País para que o risco de incêndio deverá aumentar nos próximos dias e pedindo um esforço especial de cidadania a todos.
Numa declaração à imprensa no final de uma reunião com o Comando Nacional da Protecção Civil, em Oeiras, o Primeiro-Ministro informou que o Governo vai responder favoravelmente aos pedido de ajuda feito pela Região Autónoma da Madeira, que enfrenta uma situação muito difícil no concelho do Funchal.
O Governo vai enviar 10 elementos da GNR, 10 bombeiros da força especial, 10 bombeiros voluntários, e cinco elementos do INEM, chefiados pelo segundo-comandante da proteção civil nacional.
Condições adversas continuam nos próximos dias
António Costa sublinhou que «o dispositivo tem estado a responder as ocorrências de acordo com o que é o padrão normal. Mas obviamente, perante padrões extraordinários como aqueles que têm sido vividos nos passados dias 7 e 8», tem tido dificuldade de resposta.
Assim, «é importante todos termos consciência que vamos sentir nos próximos dias condições adversas» com ventos fortes em todo o território continental que podem ajudar a propagar incêndios.
A partir de dia 11 e até dia 15, inclusive, «teremos novamente períodos de temperatura muito elevada», o que «exige um redobrado esforço de atenção».
Evitar comportamentos de risco
O Primeiro-Ministro apelou que a toda a população «para termos particulares cuidados quanto a todos aqueles comportamentos que são de risco e não podem ter lugar junto às florestas: o fumar, o trabalhar com máquinas, o lançar de foguetes…».
«Tudo o que são comportamentos de risco têm de ser absolutamente evitados nos próximos dias sob pena de ainda que involuntariamente se contribuir para a existência de calamidades como as que têm vindo a atingir as populações».
António Costa referiu que «tomámos a decisão de acionar o pré-alerta para o mecanismo europeu de proteção civil, assim como também o acordo bilateral com a Federação Russa, tendo em vista e eventual a necessidade de acionar meios caso venhamos a ter uma situação que justifique o acionamento efetivo».
«Não foi ainda feito o alerta porque sabemos que o mecanismo europeu está neste momento com uma capacidade limitada de apoio visto que, infelizmente, a situação que está a atingir o nosso País é compartilhada com outros países», cujos meios estão a ser empenhados no combate a fogos que neles ocorrem.
Incêndios evitam-se reestruturando a floresta
O Primeiro-Ministro afirmou ainda que «há dez anos foi feita uma grande reforma no setor da Proteção Civil e hoje, felizmente, todos reconhecemos que temos um dispositivo robusto, profissionalizado, hierarquizado, com um comando único que tem sabido ao longo desta década responder a estas situações», tendo havido melhorias significativas no combate aos incêndios.
«Foram dez anos que a Proteção Civil comprou, dando tempo para que se faça aquilo que é essencial, que é a reforma da floresta. Mas não é possível manter a ilusão de que os incêndios se evitam combatendo-os. Os incêndios evitam-se reestruturando a nossa floresta», sublinhou.
António Costa prosseguiu afirmando que é altura de «não perder mais tempo para fazermos aquilo que é essencial: a reestruturação da floresta de forma a termos uma floresta mais resistente, mais sustentada, de uso múltiplo, que favoreça a criação de riqueza, a fixação de populações, a defesa da floresta e designadamente um ornamento florestal mais resiliente às ameaças de incêndio».
Esta «é uma prioridade política que consta no nosso Programa do Governo, e esta prioridade política terá de ser dada execução tão rapidamente quanto possível».
«É um trabalho que exige uma enorme mobilização do conjunto do País para que possamos ter uma floresta que seja de facto uma fonte de riqueza e não uma ameaça às populações», sublinhou.
Sistema tem funcionado
O Primeiro-Ministro expressou satisfação pela forma como o sistema «tem funcionado bem nos seus diferentes níveis de articulação. A solidariedade entre a República e a Região Autónoma da Madeira é exemplar, mas também a atuação de todos os autarcas, seja de presidentes de câmara ou de freguesia, enquanto autoridades responsáveis da proteção civil, tem sido absolutamente exemplar e tem permitido que o sistema funcione de um modo muito adequado».
António Costa referiu o trabalho de «todo o dispositivo composto por bombeiros, profissionais e voluntários, elementos do grupo de intervenção de proteção e socorro da Guarda Nacional Republicana, elementos das Forças Armadas que têm estado empenhados no combate, quer em terra, quer por meios aéreos, a esta calamidade que tem assolado algumas zonas do País».
Referiu ainda «o esforço que as forças de segurança e a Polícia Judiciária têm feito relativamente, quer à prevenção, quer à repressão de comportamentos criminais que têm contribuído para estas ocorrências».
E, ainda, «um agradecimento muito especial àqueles que fazem parte do dispositivo de forma voluntária».
Foto: Primeiro-Ministro António Costa, Ministro da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e Secretário de Estado Jorge Gomes após a reunião com a Proteção Civil, Oeiras, 9 agosto 2016 (Foto: Miguel A. Lopes/Lusa)
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