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2016-07-04 às 18h13

«Em todas as fases deste avião houve uma contribuição portuguesa»

Primeiro-Ministro António Costa discursa na apresentação do avião KC390 da Embraer, Vila Franca de Xira, 4 julho 2016 (Foto: José Sena Goulão/Lusa)

«É com muito orgulho que vejo ali a bandeira de Portugal, juntamente com a bandeira da Argentina e a bandeira do Brasil», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa na primeira apresentação do avião da Embraer KC390, em Alverca, Vila Franca de Xira.

O Primeiro-Ministro sublinhou que «em todas as fases deste avião houve uma contribuição portuguesa: houve uma contribuição na conceção, houve uma contribuição na engenharia, houve uma contribuição na produção, só falta haver uma contribuição na utilização – lá chegaremos».

António Costa começou por dar os parabéns a todos os que trabalharam para que o avião fosse construído, porque «esta obra que é um excelente exemplo a vários títulos».

Trabalho em conjunto

«Em primeiro lugar, um excelente exemplo de como trabalhando em conjunto o Estado, a indústria e a academia é possível avançar na capacidade e na qualificação tecnológica», afirmou.

O Primeiro-Ministro recordou que «o Estado começou por trabalhar através da Força Aérea, porque a Força Aérea tem a necessidade de renovar a sua capacidade aeronáutica logística, militar e civil, e começou por trabalhar definindo as especificidades que devia ter o novo avião com capacidade logística».

Em segundo lugar, António Costa apontou a exemplaridade do «trabalho que é feito a partir da engenharia, engenharia desde logo do CEIIA [Centro de Excelência e Inovação da Indústria Automóvel], mas engenharia também de muitas das universidades portuguesas, engenharia presente em muitas empresas portuguesas».

Em terceiro lugar, o Primeiro-Ministro referiu «o investimento da Embraer através da sua fábrica aqui em Alverca, dos seus novos centros de competência e fábrica em Évora, e também das suas fábricas fora de Portugal».

Parceira com o Brasil

«Foi este esforço conjunto que permitiu realizar este trabalho, e este trabalho é particularmente importante para Portugal, porque representa em primeiro lugar uma parceria com o país-irmão que é o Brasil», disse, acrescentando que «nós gostamos muito de falar que somos países irmãos, mas fazemos poucas coisas em que sejamos efetivamente irmãos».

Todavia, «este KC390 é um excelente exemplo de como para além da história, para além da poesia, para além da novela, há uma realidade que é efetivamente fruto da parceria entre Portugal e Brasil, entre a engenharia portuguesa e a engenharia brasileira, entre os operários e mecânicos brasileiros e portugueses, entre aquilo que é a capacidade empresarial em Portugal e no Brasil».

«Passo de gigante»

O Primeiro-Ministro sublinhou que o KC390 «é para nós um passo de gigante na qualificação do País relativamente a um novo segmento industrial de futuro que é a aeronáutica».

António Costa referiu que «nós temos excelentes exemplos já na indústria automóvel e queremos ter, a partir daqui, uma continuidade na indústria aeronáutica».

Por isto, «é com muito orgulho que damos as boas-vindas à Europa do KC 390», e «queremos dizer à Embraer que é com muito gosto que somos o seu espaço na Europa».

O Primeiro-Ministro desejou ainda «que possamos começar uma relação muito produtiva a partir de agora, para bem da Embraer, para bem de todos aqueles que aqui trabalham, para bem de todos os que estudam engenharia aeronáutica».

«Empregos mais qualificados»

Em declarações durante o dia, o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, afirmara que a apresentação do KC390 «é um dia histórico no sentido em que, pela primeira vez, há uma aeronave concebida e implementada em Portugal, concebida por centros tecnológicos portugueses», referindo-se ao Centro de Excelência e Inovação da Indústria Automóvel, que teve a responsabilidade de três módulos do avião.

«É um dia de afirmação da engenharia portuguesa, da capacidade tecnológica do país para uma das indústrias mais desafiantes e mais exigentes que é a indústria aeronáutica», acrescentou.

O Ministro referiu que «há empresas em Portugal a trabalhar para a Embraer. Há a própria Embraer com duas fábricas. Mas há também empresas que estão no cluster aeronáutico que estão a trabalhar para Boeing ou para a Airbus e para várias outras empresas da área da aeronáutica e até do aeroespacial».

Caldeira Cabral afirmou que isto «cria empregos mais qualificados» nas áreas da concepção, do desenho e do controlo de produção, e «cria também empregos operários bastante existentes com muita formação profissional, portanto, também melhor remunerados do que os empregos que tínhamos no passado».

Na cerimónia estiveram também presentes os Ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, e o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Jackson Schneider.

Avião multiusos

Esta foi a primeira apresentação do KC-390, que a Embraer vai levar ao festival aéreo de Farnborough, em Inglaterra, a decorrer de 11 a 17 de julho.

O KC-930 é a maior aeronave projetada para aplicações multiusos civis - missões de socorro, de apoio, de combate a fogos florestais - e militares - transporte de tropas ou de equipamentos,  reabastecimento aéreo, busca e salvamento. Foi concebida para as diferentes aplicações e para mudar de aplicação num curto período de tempo.

O primeiro KC-930 da fase de produção em série está previsto ser entregue à Força Aérea Brasileira no início de 2018.

Tal como outros 30 países, Portugal assinou uma carta de intenção de compra de até seis KC390.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa discursa na apresentação do avião KC390 da Embraer, Vila Franca de Xira, 4 julho 2016 (Foto: José Sena Goulão/Lusa)