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O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que o Governo tem trabalhado com as principais empresas e setores exportadores para procurar encontrar mercados alternativos ao angolano e ao brasileiro, cujas compras de produtos portugueses baixaram muito devido às crises que afectam estes dois países.
O Primeiro-Ministro fez esta declaração na conferência de imprensa conjunta com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, no final de uma reunião de trabalho, em Lisboa.
As exportações portuguesas têm subido na generalidade dos mercados europeus, nos quais a concorrência é maior, nomeadamente da Espanha, da França e do Reino Unido, «mas temos sofrido com situações particulares em alguns mercados importantes para Portugal, como o angolano e o brasileiro», disse.
«Isto exige um esforço acrescido por parte do Governo e dos empresários para encontrarmos mercados alternativos e prosseguir uma trajetória de aumento das exportações», disse António Costa, acrescentando que este esforço inclui contactos com empresas exportadoras e com representantes dos principais setores exportadores, e a reunião do Conselho da Internacionalização.
«Em conjunto, temos de procurar continuar a aumentar as exportações portuguesas, que é uma componente decisiva para o crescimento do País», sublinhou.
A União Europeia e a crise dos refugiados
Na reunião com Donald Tusk, o Primeiro-Ministro reiterou que a primeira prioridade da política externa portuguesa é «o reforço e uma cooperação cada vez mais estreita» com os Estados-membros e com as instituições da União Europeia.
«Procuramos ter sempre uma postura construtiva relativamente a todas as questões que se vão colocando no quadro da União Europeia», afirmou, exemplificando com a crise dos refugiados.
«Queremos uma resposta de conjunto para um problema que é do conjunto da União Europeia e não apenas dos Estados-membros mais próximos dos países de origem dos refugiados. Queremos também a criação de um sentimento de confiança por parte dos cidadãos na Europa face aos problemas do terrorismo, às ameaças externas, mas também face aos desafios económicos que temos pela frente», acrescentou.
«Portugal está no caminho certo»
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que «é reconfortante observar que Portugal já teve um longo percurso desde a última crise financeira, e quero ser muito claro, porque de certeza que Portugal está no caminho certo; não tenho dúvidas».
Respondendo a uma pergunta sobre a eventualidade de a Comissão Europeia vir a propor sanções contra Portugal por não cumprimento dos objetivos de défice orçamental de 2014 e 2015 ao Conselho Europeu, Tusk disse que as instituições europeias têm procedimentos objetivos em relação à questão dos défices excessivos dos Estados-membros.
«A questão do défice excessivo de Portugal não estará por isso na agenda do próximo Conselho Europeu, mas espero que os ministros das Finanças a discutam em julho» na reunião do Eurogrupo, declarou.
O Primeiro-Ministro disse que «nas próximas semanas, a Comissão Europeia recolherá dados mais atualizados sobre a execução orçamental, o que é importante para confirmar que a execução deste ano está a decorrer em linha com o projetado e que, portanto, ainda menos se justifica a aplicação de sanções».
«Apesar de não se ter alcançado o objetivo [do défice] no ano passado, Portugal está este ano numa trajetória positiva», confirmada tanto pelos dados da despesa, como pelos da receita, afirmou António Costa, acrescentou que espera «que isso ajude a confirmar da parte da Comissão Europeia a inoportunidade que seria aplicar sanções».
«Queremos uma União Europeia com o Reino Unido»
O Primeiro-Ministro voltou a afirmar que embora respeite a decisão soberana dos povos britânicos no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, em Portugal «queremos que o Reino Unido fique entre nós; queremos uma União Europeia com o Reino Unido».
Contudo, qualquer que seja o resultado do referendo, «a Europa e o Reino Unido terão de estar sempre juntos, qualquer que seja a forma». «A Europa saberá encontrar novas formas de continuarmos a viver e a desenvolvermo-nos em conjunto», acrescentou António Costa.
Quanto à relação entre Portugal e o Reino Unido, o Primeiro-Ministro recordou que os dois países «têm a mais antiga relação diplomática do mundo» pelo que, aconteça o que acontecer em relação à União Europeia, esta relação «existirá sempre».
António Costa recordou também os contributos muito importantes do Reino Unido para a UE, referindo o reforço da capacidade de ação externa, as políticas de abertura ao mercado interno ou de simplificação administrativa.
O presidente do Conselho Europeu apelou aos britânicos, «em nome de todos os europeus: fiquem connosco». Donald Tusk disse que tem medo das consequências políticas imprevisíveis de um eventual resultado a favor da saída, vulgarmente designada de Brexit.
«A maior ameaça é o que não sabemos sobre possíveis consequências de um Brexit e não tenho dúvidas de que as consequências políticas e geopolíticas são completamente imprevisíveis e isso é sempre muito perigoso», afirmou.
Referindo que os inimigos da Europa vão «abrir uma garrafa de champanhe» se o resultado do referendo for a saída, sublinhou que o seu maior medo é que este resultado «seja um encorajamento para outros eurocéticos» e «algo como um primeiro passo de todo um processo de desintegração».
«O melhor comentário, apesar de velho e banal, é mesmo: ''Unidos venceremos, divididos cairemos''», concluiu Donald Tusk.
Foto: Primeiro-Ministro António Costa recebe o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, Lisboa, 20 junho 2016
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