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2016-05-25 às 17h41

Primeiro-Ministro afirma que «a arquitetura é a chave para a integração»

Primeiro-Ministro António Costa, Secretário de Estado da Cultura Miguel Honrado, Álvaro Siza Vieira e Guta Moura Guedes na Bienal de Veneza, 25 maio 2016

O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «a arquitetura é a chave para a integração» social contra a xenofobia e o fecho das fronteiras, durante a inauguração de uma exposição sobre a obra arquitetónica de Álvaro Siza Vieira no âmbito da Bienal de Veneza.

«Direi mesmo que é a grande arma contra os fechos das fronteiras, através desta possibilidade de recriar bairros, onde comunidades diferentes possam conviver, conhecer-se e criar espaços de diálogo intercultural», afirmou.

Numa inauguração em que acompanhado pelo Secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, António Costa disse que a criação de condições para uma convivência intercultural «é o maior desafio» para a integração social.

«Se vencermos este desafio, combatemos o medo, acabamos com esta pressão xenófoba e populista para o fecho das fronteiras e recriamos a liberdade», acrescentou António Costa, dizendo ainda que «os projetos de Álvaro Vieira são bons exemplos disso, pelas histórias que os moradores vão contando».

A exposição inclui projetos de habitação social em Haia (Holanda), Berlim (Alemanha), Veneza (Itália) e Porto.

Políticas de habitação

O Primeiro-Ministro aproveitou o tema da exposição para afirmar a necessidade de «uma nova geração de políticas de habitação».

«Nos anos 90, houve um programa para a erradicação das barracas. Desde aí, com as rendas congeladas e com o crédito fácil, foram-se encontrando respostas, mas, com o fim do crédito fácil e com o descongelamento das rendas, é preciso uma nova geração de políticas de habitação», afirmou.

António Costa acrescentou que estas políticas devem ser «dirigidas aos jovens e à classe média, quer por via da reabilitação, quer por via de uma integração de bairros na vida das cidades».

Prédio em construção

O Primeiro-Ministro comentou também a ideia de Portugal fazer a sua exposição para a Bienal de Veneza utilizando como pavilhão um prédio em construção.

«No fundo, o que se pretende é repor em construção todo um bairro que se encontrava bloqueado no seu desenvolvimento», afirmou, lembrando que Siza Vieira venceu o concurso para a reabilitação do prédio em 1980 mas o projeto ficou inacabado depois de o construtor falir em 2010.

«O cerne da exposição é o trabalho de Álvaro Siza Vieira não no pavilhão de Portugal, não das suas grandes obras icónicas, mas de um trabalho muito importante que desenvolveu em Portugal, na Holanda, Alemanha e na Itália virado para a habitação social», disse.

O exemplo da Mouraria

António Costa recordou o bairro da Mouraria e o processo de transformação que ocorreu no período em que era Presidente da Câmara Municipal de Lisboa: «Antes era um bairro fechado, mas agora está aberto e perfeitamente integrado na cidade».

«Estes são sempre processos que implicam continuidade e um grande envolvimento público», afirmou, acrescentando: «Vejo com satisfação a atuação das câmaras do Porto e de Lisboa na reabilitação urbana».

Promoção do mármore

O Primeiro-Ministro esteve também no lançamento de uma exposição de peças artísticas feitas com mármore e granito nacional, promovida pela Experimentadesign e pela Associação Portuguesa de Produtores de Mármores e Granitos.

A organizadora, Guta Moura Guedes, convidou conceituados arquitetos internacionais para apresentarem peças a partir destes tipos de pedras nacionais, depois de já ter afeito o mesmo com a cortiça.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa, Secretário de Estado da Cultura Miguel Honrado, Álvaro Siza Vieira e Guta Moura Guedes na Bienal de Veneza, 25 maio 2016