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O Governo Português tem seguido com preocupação o agravamento da situação de crise institucional na Guiné-Bissau e lamenta que, pela segunda vez no espaço de menos de um ano, não tenha sido possível ao Governo levar a cabo o seu mandato, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado.
O Governo tem seguido este agravamento em estreita articulação com os seus parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, da União Europeia, das Nações Unidas, e também em concertação com a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.
Portugal mantém-se solidário com o povo guineense, sublinhando a necessidade imperiosa de ser restabelecido o diálogo entre os diferentes atores políticos, num espírito de compromisso e vontade empenhada.
Este diálogo deve ser estabelecido dentro dos princípios em relação aos quais ninguém pode transigir: a defesa da paz e segurança; o respeito pela ordem constitucional e pelo Estado de Direito; e o desenvolvimento do país e o bem-estar dos guineenses.
Ultrapassar clima de desconfiança
É urgente, pois, consolidar os progressos conseguidos após as eleições de 2014, que geraram fortes expectativas em todos os setores da sociedade guineense e na comunidade internacional, e ultrapassar o presente clima de desconfiança e incerteza, que veio pôr em risco as perspetivas de desenvolvimento que se abriam para o país.
A ausência da necessária estabilidade política suscita dúvidas sobre a exequibilidade dos projetos de cooperação com a Guiné-Bissau, bem como sobre a prossecução das reformas necessárias ao país e há muito reconhecidas pela comunidade internacional.
O Governo Português espera que a evolução política na Guiné-Bissau não venha a fazer perigar a aplicação do Programa Estratégico de Cooperação, fazendo votos para que seja encontrada uma situação estável e duradoura, no quadro da legalidade constitucional, que assegure a plena capacidade das instituições guineenses para levarem a cabo essa parceria estratégica bilateral.
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