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Notícias

2016-05-11 às 18h30

«Portugal terá de se adaptar a condições progressivamente desfavoráveis para a atividade agrícola e florestal»

«A agricultura é um setor particularmente vulnerável às condições climáticas» e «Portugal terá de se adaptar a condições progressivamente desfavoráveis para a atividade agrícola e florestal», afirmou o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, no encerramento da conferência «Intensificação Sustentável e Eficiência na Utilização dos Recursos na Agricultura Portuguesa», em Lisboa.

O Ministro enumerou «a redução da precipitação, o agravamento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos e o aumento da suscetibilidade à desertificação» como cenários de alteração climática que Portugal terá de enfrentar.

«A resposta a estes desafios implica, desde logo, o envolvimento de todos», afirmou o Ministro, destacando o papel dos produtores agrícolas e florestais e das suas organizações, da comunidade científica, das organizações da sociedade civil e do Governo.

Mitigação e regadio

O Ministro do Ambiente destacou que os desafios das alterações climáticas obrigam «a apostas mais exigentes em medidas de mitigação, mas também a defender o País dos efeitos irreversíveis das alterações climáticas».

Matos Fernandes afirmou que a adaptação «é também positiva em termos de mitigação» porque torna a agricultura «mais resiliente ao clima e menos emissora» de gases com efeito de estufa.

«O regadio fará sempre parte da solução», disse o Ministro, mas não poderá ser utilizado «de forma desregrada e ineficiente», pois «a água é um recurso escasso e sê-lo-á ainda mais no futuro».

«Devemos pois pensar nas culturas e nas técnicas de regadio que nos permitem usar da melhor forma possível este recurso e modernizar as explorações que ainda não acompanham o enorme progresso dos últimos anos neste domínio», disse.

Evolução da política agrícola

A utilização inteligente de recursos vai ao encontro da evolução verificada nas políticas agrícola e ambiental, tendo o Ministro afirmado que existe «a possibilidade de um encontro feliz entre ambiente e produção».

«Se, por um lado, precisamos de produzir cada vez mais alimentos, fibras e energia para fazer face a uma população global crescente, precisamos também, por outro lado, de garantir que o fazemos de uma forma sustentável», disse Matos Fernandes.

O Ministro afirmou também a necessidade de se reduzirem as emissões de gases com efeito de estufa no setor, enumerando alguns caminhos: «Mais eficiência no uso de fertilizantes, melhoramento genético de animais e culturas, melhor gestão dos estrumes e efluentes da pecuária, uso de fertilizantes orgânicos e a utilização mais racional de biocidas».