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2016-04-13 às 11h28

Reboleira a um metro de Lisboa

Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, na inauguração da interligação da rede de metro à linha de combóios de Sintra, Amadora, 13 abril 2016 (Foto: Paulo Vaz Henriques)

A ligação do Metropolitano de Lisboa à linha de Sintra tem «um impacto significativo no mapa de acessibilidades do concelho da Amadora e, sem dúvida, na qualidade de vida dos seus mais de 175 000 habitantes», afirmou o Ministro do Ambiente na inauguração da estação de metro da Reboleira, que foi presidida pelo Primeiro-Ministro António Costa.

João Pedro Matos Fernandes acrescentou que «é também uma ligação de importância fundamental para toda a linha de Sintra, porquanto permitirá descongestionar o corredor do IC19, pois estamos certos irá atrair mais pessoas para uma opção de transporte público, através da oferta de conforto e celeridade no acesso a Lisboa».

O prolongamento da linha e a nova estação - menos de um quilómetro - que ligam a rede de metro ao comboio de Sintra representou um investimento de cerca de 60 milhões de euros, comparticipados por financiamento comunitário de 42,5 milhões do Fundo de Coesão. Os trabalhos começaram em 2007 e deveriam ter terminado em 2010, mas estiveram suspensos por falta de financiamento.

O Ministro referiu também que a política do Governo para o Metropolitano de Lisboa, porque «envolve montantes elevados», obriga os responsáveis a «ser muito ponderados em relação a novos investimentos», pelo que estes «deverão essencialmente ser desenhados para o reforço da conectividade entre as linhas já existentes».

Descentralização

Mas o Governo «é também muito claro na sua ambição de descentralização de competências em matéria de mobilidade, e nisso a lei 52/2015 é inequívoca», afirmou Matos Fernandes.

Segundo esta lei, «cabe ao poder local a organização do transporte local e regional. Cabe à Área Metropolitana de Lisboa a organização do sistema de transporte a nível regional e a definição do Serviço de Transporte Público que se pretende para a região».

Por isto, o Governo tem trabalhado «para a transição da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa», referiu, acrescentando que «conseguiremos chegar a um acordo com a Câmara Municipal de Lisboa que permita que a 1 de janeiro de 2017 a Carris seja uma empresa municipal».

Mobilidade

O Ministro afirmou que a rede de transportes públicos urbanos - constituída pelos operadores públicos e privados de transporte público rodoviário e ferroviário - deve ser «cada vez mais fiável e eficiente na sua intermodalidade, mas também cada vez mais utilizada por todos como a primeira opção e não apenas por aqueles que não dispõem de alternativa em transporte individual».

O objetivo dos transportes públicos é criar melhores cidades, «otimizando o respetivo desempenho energético-ambiental» para «dar resposta ao desafio civilizacional de controlo das alterações climáticas», «definindo uma nova centralidade (...) focada no cidadão, no bem-estar das pessoas».

Contudo, a tendência real dos últimos 5 anos foi «a utilização abusiva do transporte individual», referiu Matos Fernandes, apontando dois números: a oferta de transportes da Carris e Metro «sofreu uma queda de 20%», e a procura dos seus serviços caiu 25%, representando «um decréscimo de cerca de 60 milhões de viagens por ano».

«Esta é uma tendência com consequências nefastas, quer em termos energéticos e, obviamente, ambientais, quer na sinistralidade, na qualidade de vida das populações, dos espaços públicos e na sustentabilidade financeira das empresas de transportes», afirmou.

Este foi o resultado de «uma visão da mobilidade centrada quase exclusivamente nos rácios financeiros, esquecendo que os transportes existem para servir prioritariamente para assegurar as necessidades de mobilidade das pessoas e potenciar o desenvolvimento da economia».