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2016-02-25 às 15h13

Lince vai regressar à serra da Malcata

«Vamos apresentar uma candidatura para reintroduzir o lince ibérico na serra da Malcata em maio, quando abrirem as próximas candidaturas do programa operacional sustentabilidade e eficiência no uso de recurso, no domínio da conservação da natureza», afirmou o Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, em declarações à agência Lusa.

E acrescentou: «A expectativa de sucesso que temos é de que, em três a cinco anos, possamos ter condições para que o lince torne à serra da Malcata».

«Para cumprir este objetivo, é preciso que também o Estado cumpra a sua função, com a instalação de alguns cercados com coelho bravo e pequenas mudanças - como pequenos prados, com mosaicos e zonas de refúgio, tanto para o lince ibérico, como para as suas presas – associadas à gestão daquele espaço como uma zona de caça», explicou o Ministro.

Intervenções no terreno iniciam-se no final do ano

João Matos Fernandes referiu ainda que, «no final de 2016, já estaremos em condições de iniciar as intervenções no terreno, que conduzirão a que volte a haver a espécie do lince ibérico na serra da Malcata, num prazo que - infelizmente - nunca será muito curto».

«A existência de alimento, ou seja, de coelhos bravos, é fundamental para a decisão de libertar os linces», afirmou também o Ministro, lembrando que «a densidade de coelhos bravos por hectare na serra da Malcata era de 0,29 quando o programa Life, que tem financiado a reintrodução do lince ibérico em Portugal e em Espanha, refere que tem de haver um mínimo de dois. Assim, atualmente não há quaisquer condições para reintroduzir o lince ibérico na serra da Malcata».

Reintrodução do lince ibérico no País

João Matos Fernandes referiu que «o lince tem sido introduzido em Portugal com sucesso, ainda que seja uma experiência recente, no Vale do Guadiana, onde há densidade da ordem dos 3,5 coelhos bravos por hectare, tudo isto em zonas de caça ordenada».

«Desde 2005, existe um plano de ordenamento territorial na serra da Malcata que aponta a caça como uma atividade económica importante também para a melhoria do habitat, nomeadamente pela introdução de espécies autóctones, como coelhos bravos, o alimento do lince. Desta forma, pareceu-nos importante, seguindo o conselho técnico do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, permitir a caça ordenada naquela parcela da serra da Malcata», explicou o Ministro, alertando que, «para haver caça nesta área, o Governo tem primeiro de aprovar um plano e a única espécie que está prevista poder caçar-se é o javali, e apenas dentro de 18 meses, na melhor das hipóteses».

E concluiu: «não há quaisquer condições para caçar coelhos ou perdizes, que são em número reduzido, na serra da Malcata. Daí a sua caça ser completamente proibida».