Saltar para conteúdo
Histórico XXI Governo - República Portuguesa Voltar para Governo em funções

Notícias

2016-02-23 às 11h04

Virar a página da austeridade com Orçamento responsável e rigoroso

Ministro das Finanças, Mário Centeno, no debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2016, Assembleia da República, 23 fevereiro 2016 (Foto: Jorge Ferreira)
Intervenção do Ministro das Finanças no Debate do Orçamento do Estado Para 2016

«O fim da austeridade não deve ser confundido com falta de rigor ou ignorância das restrições», afirmou o Ministro das Finanças no debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2016, na Assembleia da República. Mário Centeno acrescentou que o Orçamento «é responsável e rigoroso».

O Ministro referiu que a OE 2016 «promove a estabilidade económica e social», nomeadamente através de «um quadro de estabilidade fiscal direta, sobre as famílias e sobre as empresas» e «gera confiança e estabilidade, fator essencial para as famílias, para as empresas e para os investidores, nacionais ou estrangeiros».

Contudo, «virar a página da austeridade não significa governar sem rigor e sem exigência, fora de um quadro de restrições», mas sim «ter a noção exata dos problemas com que o País se confronta e das suas causas, mas ter a coragem e a determinação de fazer escolhas para os resolver», disse Mário Centeno.

O Ministro exemplificou reforçando que «a introdução de uma cláusula de salvaguarda no IMI é feita ao mesmo tempo que se elimina a isenção do IMI para os fundos imobiliários» e anuncia que «estamos em condições de propor que a despesa fiscal do quociente familiar seja substituída por uma dedução por cada filho de 600 euros, aumentando-se também as deduções por ascendente por descendente deficiente».

Menos impostos

Mário Centeno sublinhou que «o peso dos impostos diminuirá 0,2 pontos percentuais do PIB», o que «é uma característica fundamental daquilo que temos descrito como o virar a página da austeridade».

Assim, «a receita de impostos diretos cai 390 milhões de euros, aliviando especialmente as famílias», uma vez que «os impostos a cobrar sobre o rendimento do trabalho irão diminuir, o que é compatível com o crescimento do emprego e dos salários». «Na prática este alívio para as famílias e para as empresas ocorre com um crescimento de 3,6% do Rendimento Disponível», pelo que «o peso da receita do IRC e do IRS diminuirá». Mas mantém-se também a estabilidade fiscal mantendo as taxas do IRC, do IRS e do IVA.

Simultaneamente, «há uma recomposição fiscal virtuosa, amiga do crescimento», que Mário Centeno classifica de «virtuosa, pois há menos impostos diretos sobre os fatores produtivos e mais impostos indiretos sobre as decisões de consumir e importar». Os impostos sobre tabaco, veículos e álcool «sofrem uma atualização base de 3%».

«O aumento da receita com impostos indiretos (mais 6,6%), é concretizado apenas com o crescimento da receita em impostos especiais, em que se associam importantes finalidades extrafiscais», das quais destacou «o desincentivo ao endividamento das famílias, o equilíbrio das contas externas e a preocupação com a eficiência energética».

 «Esta alteração de política faz-se assumindo escolhas claras», que passam pela «maior produtividade no Estado, «reposição faseada dos cortes salariais e o aumento do salário mínimo de forma concertada», que «são políticas economicamente eficientes».

Redução do défice e da dívida

O Governo assume ainda «o desígnio de sair no final de 2016 do Procedimento por Défice Excessivo. O Orçamento do Estado terá um défice abaixo dos 3% e avançará igualmente para uma redução do défice estrutural, cumprindo assim, finalmente, com os nossos compromissos europeus».

O Ministro referiu que «em 2016 o défice será de 2,2% e a divida pública diminuirá para 127,7% do PIB», «a receita de impostos diretos diminuirá em 2% e prevemos um aumento de 6,6% na receita dos impostos indiretos», e «tendo presente que a economia crescerá a um ritmo superior ao do conjunto da receita fiscal, o peso dos impostos na economia diminuirá».

«A opção por um maior enfoque nos impostos indiretos é deliberada», pois «são mais amigos do crescimento e promovem externalidades positivas», e, ao mesmo tempo há medidas para «dissuadir o recurso ao crédito excessivo - em 2015 a taxa de poupança dos portugueses estava nos 4,8%», um valor muito baixo que é «mais uma justificação para promovermos a recuperação dos rendimentos dos trabalhadores».

Coesão social

Mário Centeno afirmou que tal «como a política fiscal adotada demonstra, este é um Orçamento que pretende reforçar a coesão social», referindo o aumento da proteção social, «através da reposição dos mínimos sociais (Rendimento Social de Inserção, Complemento Solidário para Idosos e Abono de Família) e da atualização das pensões de reforma», e da redução do valor global das taxas moderadoras, «através da introdução de uma nova racionalidade na sua definição, privilegiando o recurso aos centros de saúde e às linhas de apoio à saúde».

Outra opção do Governo é «promover a capitalização das empresas», devendo ser dado «um papel cimeiro às condições de financiamento, público e privado, da economia» e pretendendo o Governo «apoiar a sua competitividade e reforçar as respetivas estruturas de capital» através «de instrumentos financeiros com recurso a Fundos Europeus, numa alavancagem esperada na economia de mil e quinhentos mil milhões de euros».

Quanto ao Estado «não alinhamos na estratégia de destruição dos serviços do Estado, essa sim, uma política despesista», promovendo antes a modernização e a simplificação administrativa «que permitirá poupar recursos, reforçar a confiança dos utentes no serviço público e reduzir custos de contexto para as empresas, favorecendo a competitividade».

 

Foto: Ministro das Finanças, Mário Centeno, no debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2016, Assembleia da República, 23 fevereiro 2016 (Foto: Jorge Ferreira)