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O Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social afirmou que é preciso «apostar nos agentes locais, como os municípios e as organizações, para acompanhar mais de perto os jovens desempregados, ajudando-os entrar no mercado de trabalho».
José António Vieira da Silva fez estas declarações em entrevista à agência Lusa, após uma reunião em Estocolmo, a convite da sua homóloga sueca, Ilva Johanssen, em que participaram também a Alemanha, a Áustria, a Dinamarca, a Eslovénia e a Estónia, sobre «Desenho e implementação de estratégias efetivas de apoio à integração e retenção de jovens em risco no mercado de trabalho».
«Apesar de haver aspetos comuns (entre os vários Estados da UE), a incidência do desemprego juvenil é maior nalguns países, em particular, em Portugal, devido à crise económica e às medidas de austeridade», disse o Ministro, referindo-se em particular «os jovens que já não estão na escola, não estão em formação profissional, não trabalham, e muitas vezes nem procuram emprego».
«Quando não há oferta por parte dos empresários de postos de trabalho, um dos setores que mais sofre são os jovens, e - dentro desses - aqueles que têm mais dificuldades do ponto de vista das suas qualificações», afirmou também.
Agentes locais
«Para combater o desemprego jovem, uma experiência que foi muito valorizada nesta reunião e que pode ser incentivada em Portugal, é a valorização dos agentes locais - municípios e organizações -, no sentido de acompanharem mais de perto estes jovens e trabalharem para que possam encontrar um caminho de entrada no mercado de trabalho», sublinhou o Ministro.
E acrescentou: «Neste encontro foi destacada a necessidade de políticas específicas para este grupo de jovens, que passam por combater o abandono escolar precoce, assegurando que todos os jovens tenham formação académica e, ou profissional».
Vieira da Silva referiu que «as oportunidades de um trabalho estável e de qualidade foram significativamente reduzidas para os jovens portugueses, o que torna este grupo particularmente vulnerável, quando comparado com a restante força de trabalho».
«Estas vulnerabilidades traduzem-se em vínculos de trabalho precário e consequente insegurança, que estão diretamente ligadas aos altos níveis de emigração a que assistimos nos últimos anos», donde, «uma das prioridades de Portugal passa por reduzir a segmentação no mercado de trabalho, para diminuir as iniquidades de oportunidades entre os jovens e a restante força de trabalho».
Avaliar medidas
O Ministro lembrou «um conjunto de medidas desenvolvidas em 2014 e 2015 para estimular a entrada no mercado de trabalho destes jovens, nomeadamente estágios profissionais e apoios à contratação por parte das empresas».
A eficácia destes programas está agora a ser avaliada para verificar se os estágios dão origem «efetivamente a alternativas mais sólidas de emprego» e se os apoios à contratação «se transformam em empregos com sustentabilidade. Este é o desafio que temos pela frente para melhorar a execução das políticas de emprego», concluiu.
Segundo dados oficiais, 12% a 17% dos jovens portugueses entre os 15 e os 25 anos estão fora do mercado de trabalho e do sistema educativo, não fazendo parte das estatísticas do desemprego (que apenas incluem a população ativa).
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