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«A solução para a União Europeia é fortalecê-la e não dividi-la» afirmou o Primeiro-Ministro na conferência de imprensa conjunta no final da reunião entre ambos, em Berlim. António Costa sublinhou que «é muito importante partilhar uma visão comum do futuro da Europa», e que Portugal e a Alemanha «partilham um projeto comum, a Europa». O reforço da União Europeia e a crise dos refugiados foram os dois principais temas da reunião.
António Costa afirmou que «é claro que para fortalecer a zona euro é preciso o reforço das condições de competitividade» dos países, «é preciso complementar a política de coesão com políticas de competitividade», recordando que as políticas de coesão ajudaram a aproximar Portugal do nível dos outros países da UE.
Desde o ano 2000, com a criação do euro, o alargamento da UE a leste e a entrada da China no mercado mundial, manifestaram-se os problemas de competitividade nas economias europeias, referiu. Estes problemas estão a aumentar as diferenças entre os países. «Só reduzindo as assimetrias entre os países da Europa reduziremos as dificuldades da zona euro», sublinhou.
Competitividade
O Primeiro-Ministro afirmou que Portugal está a passar por «processo muito exigente», e para sair dele «precisa de se centrar em vencer os bloqueios à competitividade que têm condicionado a capacidade de Portugal crescer, de criar emprego e de reduzir o seu défice e a sua dívida».
A Chanceler Merkel afirmou que «o que o Primeiro-Ministro António Costa disse é muito importante. Como melhorar a competitividade é algo que Portugal e a Alemanha vão debater ainda mais intensamente».
O Primeiro-Ministro referiu o «contributo continuado da Alemanha para a democracia portuguesa e para a integração europeia de Portugal», bem como d«a importância do investimento alemão na economia portuguesa e o facto de, ao longo da crise, a Alemanha e os seus investidores terem mostrado confiança no futuro da economia portuguesa».
Relançar a economia
Respondendo a perguntas dos jornalistas portugueses sobre o Orçamento do Estado, o Primeiro-Ministro referiu que «não falei do orçamento português com a Senhora Merkel, que tem que se preocupar com o seu próprio orçamento», mas o Orçamento para 2016 «é um orçamento responsável que cria condições para o emprego, o crescimento, o aumento das prestações sociais e uma descida mais sustentável do défice».
Além de «reduzir o défice e a dívida», o orçamento pretende «relançar a economia através do aumento do rendimento disponível das famílias e a melhoria das condições de investimento das empresas, melhorando as condições do seu financiamento, a sua capitalização, e, também através do aumento do investimento direto estrangeiro, nomeadamente alemão».
O Primeiro-Ministro disse que «a nossa política económica está dentro das regras da UE», tendo a Chanceler referido que «temos o pacto de estabilidade, que todos nós aceitámos, que contem critérios de flexibilização, mas também regras claras».
Angela Merkel disse ainda que «é importante que Portugal entre num caminho de mais crescimento e mais emprego. Desejamos tudo de bom e vamos dar o nosso contributo para que todo o contexto na zona euro seja positivo», referindo nomeadamente as «boas condições no Banco Central Europeu» e «o preço do petróleo baixo», e concluindo que «estão criadas as condições para o crescimento».
Acerca da negociação de condições especiais para o Reino Unido na União Europeia, António Costa afirmou que «Portugal e o Reino Unidos têm a mais antiga aliança diplomática do mundo, uma aliança de 600 anos, e não concebemos como podemos viver na União Europeia sem o Reino Unido».
«A União Europeia é um espaço comum com regras comuns, quer orçamentais, quer de circulação», disse ainda, acrescentando que «viver numa união é como viver numa família: há dificuldades, mas temos de encontrar condições para podermos viver juntos».
António Costa visita a Berlim para uma reunião de trabalho com a Chanceler, precedida de uma visita à Fruit Logistica, e seguida da inauguração do novo Centro Cultural Português e da intervenção numa conferência sobre o reforço da parceria luso-alemã na Europa.
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