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2016-02-05 às 14h40

Portugal disponível para acolher mais refugiados

Primeiro-Ministro António Costa com a Chanceler alemã Angela Merkel, Berlim, 5 fevereiro 2016

O Primeiro-Ministro António Costa confirmou ter debatido com a Chanceler Angela Merkel «a crise dos refugiados, que é um problema de todos os países da União Europeia e não apenas da Alemanha», na conferência de imprensa conjunta no final da reunião de trabalho entre ambos, em Berlim. «A Europa tem um dever para com a sua história de proteger os valores humanitários», disse. O reforço da União Europeia e a crise dos refugiados foram os dois principais temas da reunião.

Portugal tem assumido o seu papel «na colaboração na proteção das fronteiras próprias e das fronteiras conjuntas e no acolhimento aos refugiados», recordou o Primeiro-Ministro, mas «ofereceu-se para, numa base bilateral, colaborar com os países que estão a sofrer maior pressão» na crise dos refugiados.

«É injusto fazer cair sobre a Senhora Merkel o que é um dever de todos os dirigentes europeus» e «é injusto que a Alemanha seja responsabilizada pelo que é responsabilidade de todos os países da União», disse António Costa, referindo que esses deveres são «assegurar proteção a quem precisa», «melhorar as condições nos locais de origem dos refugiados e dos imigrantes», e «facilitar o acolhimento» dessas pessoas.

Angela Merkel agradeceu o apoio de Portugal: «Estou grata a Portugal por se comprometer com o sistema de redistribuição de refugiados e por ter apresentado outras ofertas nesse sentido», disse.

O Primeiro-Ministro apresentou à Chanceler alemã a disponibilidade para negociar «numa base bilateral» a transferência de refugiados para Portugal, uma vez que «este não é um problema de cada um dos países, é um problema de toda a Europa. Portugal tem o dever de ser solidário e de procurar encontrar uma solução».

Governo solidário com a Alemanha

Com o objetivo de aliviar a «pressão» sentida pela Alemanha e de conceder uma nova «oportunidade aos refugiados para refazer a sua vida», o Primeiro-Ministro declarou que as portas dos Institutos Politécnicos e Universidades portuguesas estão abertas para acolher e ensinar os refugiados que fogem da guerra, preenchendo assim as vagas disponíveis no ensino português. Uma proposta que é uma «solução ganhadora para todos».

Presentemente, as universidades e politécnicos portugueses têm duas mil vagas para receber estudantes que podem assim seguir o seu percurso universitário, ajudando ao mesmo tempo as instituições do ensino superior a encontrarem novas formas de financiamento.

Apresentou também a ideia do recrutamento de refugiados que estejam disponíveis para trabalhar na agricultura, nomeadamente em sectores que são já hoje muito competitivos, como a produção em estufas, e que se veem obrigados a recrutar trabalhadores vietnamitas ou tailandeses por falta de mão-de-obra na Europa.

«Se a Alemanha aumentar as importações das produções de frutos ou de legumes, nós podemos produzir mais. Para produzir mais precisamos de mais mão-de-obra e podemos ter maior capacidade de acolhimento», disse o Primeiro-Ministro na visita à Fruit Logistica, a maior feira mundial de frutos e legumes.

A questão dos refugiados ocupa o topo da agenda política na generalidade dos países da União Europeia, tendo sido um dos temas discutidos pelo Primeiro-Ministro com o seu colega holandês, durante a deslocação de António Costa a Haia.

Em declarações ao Público, António Costa afirmou que quer renovar a tradição europeia de António Guterres, de que Portugal deve ser sempre «uma ajuda para as soluções europeias», e não mais um problema.

António Costa visita a Berlim para uma reunião de trabalho com a Chanceler, precedida de uma visita à Fruit Logistica, e seguida da inauguração do novo Centro Cultural Português e da intervenção numa conferência sobre o reforço da parceria luso-alemã na Europa.