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O Primeiro-Ministro afirmou que a sua visita oficial a Cabo Verde «foi uma visita excelente, durante a qual se abriu um novo ciclo para o próximo período de cooperação» (2016-2020). António Costa acrescentou que «a par de áreas que vão ter continuidade, como a educação, a saúde e a componente técnico-policial, haverá áreas novas, designadamente a economia do mar e a energia», no balanço final da deslocação de dois dias.
Referindo que no plano político e diplomático há um relacionamento de excelência entre Portugal e Cabo Verde, o Primeiro-Ministro referiu que «é bonito poder ver como dois povos podem festejar conjuntamente a nossa própria liberdade e a libertação dos países africanos de expressão portuguesa», pois «tivemos a coincidência de esta visita se efetuar no dia em que se celebram em Cabo Verde os heróis nacionais». A capacidade de celebração conjunta de efemérides históricas «é o melhor sinal de que, por muitos anos que passem, as relações entre os dois povos serão fundadas não só no passado, não só na memória, mas também naquilo que a língua comum nos permitirá todos os dias reinventar».
António Costa - que foi acompanhado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Cultura, João Soares - e o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, inauguraram o Museu do Campo de Concentração do Tarrafal, onde estiveram presos opositores ao regime salazarista de todo o Portugal, que então incluia também as chamadas províncias ultramarinas.
No seu discurso, o Primeiro-Ministro enalteceu os lutadores pelas independências africanas e referiu que «só é verdadeiramente livre quem os outros liberta. Não era possível restaurar a democracia em Portugal sem libertar os povos colonizados». «Nunca, mas nunca mais, novos tarrafais», declarou aludindo às três dezenas de presos políticos que, entre 1936 e 1954, morreram na prisão do Tarrafal.
Perante antigos presos políticos, António Costa prestou homenagem ao líder histórico do movimento de independência da Guiné e de Cabo Verde, Amílcar Cabral - cuja data da sua morte é hoje assinalada em feriado nacional pelos cabo-verdianos -, afirmando que «todos os povos têm momentos negros na sua História. E uma das marcas mais negras da nossa História é, sem dúvida, o Tarrafal».
O Ministro da Cultura, João Soares, e membros do Governo cabo-verdiano, referiram o papel desempenhado pelo militante comunista Orlando Costa - pai do Primeiro-Ministro português - na resistência ao Estado Novo.
António Costa visitou também a barragem de Figueira Gorda, na ilha de Santiago - um empreendimento construído e financiado por Portugal com 3,7 milhões de euros: «Hoje vimos como a cooperação técnica na área da irrigação tem sido importante para ajudar à transformação de Cabo Verde. É em áreas inovadoras que poderemos dar um salto qualitativo na cooperação», disse o Primeiro-Ministro.
Foto: Primeiro-Ministro António Costa, Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, Ministro da Cultura João Soares, Conselheiro do Estado e ex-preso político Domingos Abrantes no Tarrafal, Cabo Verde, 20 janeiro 2016 (Foto: Mário Cruz/Lusa)
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