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Intervenções

2019-07-08 às 21h51

Intervenção do Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações no Dia Nacional do Mutualismo

Parece que a etimologia da palavra Mutualismo explica a proveniência do latim "Meumtuum", o que significa "o que é meu, é teu". No fundo
mutualizar é partilhar, é um dar e receber, reciprocidade no auxílio, comunhão de serviços e de bens, assunção colectiva de riscos.

São atitudes ancestrais, valores de sobrevivência, que relevam não de um pretenso darwinismo social - em que os mais capazes sobrevivem à custa dos mais vulneráveis, mas do trabalho colaborativo para sobreviver na selva. São paradigmas que continuam a confrontar-se na nossa socieade urbanóide e hipertecnológica.

Mas a mais antiga notícia de formas organizadas de mutualismo em Portugal parece datar de 1297 e é relativa ao Compromisso da Confraria dos Homens Bons de Beja, outorgada por D. Dinis. Não sobram documentos mais antigos, mas o socorro mútuo deve estar gravado no ADN de todos os homens bons e solidários. Por esse país lonjevo, de norte a sul encontramos memórias dessas associações de beneficiência e socorro mútuo. São, por isso, pelo menos 722 anos de mutualismo documentado, mas estou seguro que a fraternidade se perde nos confins do nosso tempo. Socorrer alguém na fome, na doença, no perigo, na solidão e morte é inerente à nossa condição. O problema é que por vezes nos olvidamos dela, imbuídos de egoísmos que nos cegam e de sobranceria que nos tolhe o gesto, nos inibe a dádiva do tempo, o pequeno prestar. Que pode ser enorme para quem recebe.

Leia a intervenção na íntegra em anexo.