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Comunicados

2019-06-03 às 12h55

Ministra da Cultura lamenta morte de Agustina Bessa-Luís

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta a morte da escritora Agustina Bessa-Luís.

Nascida em 1922, Agustina publicou o seu primeiro livro em 1948, dando início a um longo e extraordinário percurso na literatura portuguesa, onde se assumiu como uma das suas grandes romancistas e mestre de um dos mais originais processos criativos da ficção portuguesa.

Autora de uma obra tantas vezes virada para o passado mas sempre contemporânea, sempre presente, marcou a escrita em português a partir dos anos 50, inaugurando um novo espaço ficcional, à imagem de outras grandes mulheres e que, em conjunto com ela, revolucionaram radicalmente a prosa em português, como Maria Velho da Costa ou Maria Gabriel Llansol.

Com livros como A Sibila – onde surge Quina, uma das mais reconhecíveis identidades do nosso imaginário literário –, A Corte do Norte, Eugénia e Silvina ou a trilogia O Princípio da Incerteza, Agustina Bessa-Luís ocupa um lugar sem par na narrativa portuguesa contemporânea, sempre preocupada com a condição social e cultural em Portugal e com uma capacidade única de ler no passado as dimensões históricas e vivenciais que atravessam as épocas.

Na sua relação com o cinema, a cumplicidade com Manoel de Oliveira levou à assinatura de obras fundamentais do cinema português, como Francisca e Vale Abraão, a partir de romances seus, mas também Party, O Convento, Inquietude, O Princípio da Incerteza e A Alma dos Ricos, escritos, adaptados ou recriados a partir de romances ou contos. Neles expressavam-se as paradoxais relações entre homens e mulheres enquanto seres encravados na ambição e na ansiedade. Figuras que pairavam entre a história e o tempo, que o cinema e o olhar de Oliveira tornaram palavra física e, assim, voz material de pensamentos que construíram uma obra cheia de imagens e de metáforas.

Agustina foi ainda diretora do Teatro Nacional Dona Maria II entre 1990 e 1993 e foi nesse teatro que Filipe La Féria encenou, em 1996, As Fúrias, a partir do romance publicado em 1977, no rescaldo do verão quente, e parábola político-filosófica sobre um país em reconstrução identitária.

Para além do Prémio Camões, em 2004, Agustina Bessa-Luís recebeu os mais importantes prémios literários portugueses, bem como a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura em 1993. Foi também agraciada pelo Presidente da República General Ramalho Eanes, com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e, em 2006, com o grau de Grã-Cruz da mesma ordem pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva.
Com uma dedicação inabalável e intransigente à criação literária, o legado de Agustina é vasto, composto por personagens, visões da história, lugares e, acima de tudo, um percurso pessoal e autoral únicos e exemplares.

À Família e aos Amigos enviam-se as mais sentidas condolências.
Áreas:
Cultura