O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro rejeitou a narrativa de colapso do Serviço Nacional de Saúde (SNS), defendendo que existe uma "absoluta desproporção" entre a perceção pública e a realidade do sistema e apresentou dados concretos que sustentam a melhoria: os tempos de espera nas urgências são os melhores dos últimos cinco anos e o SNS reforçou os seus quadros com mais recursos humanos.
"Somos todos os dias confrontados com uma perceção de caos, de crise, de problema permanente. O que tenho a obrigação, em nome dos profissionais, é dizer que, felizmente para todos nós, isso não é a realidade que os mais de 150 mil atos diários dos profissionais do SNS enfrentam", afirmou Luís Montenegro, na presença da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na inauguração da sede definitiva da Direção Executiva do SNS.
Luís Montenegro alertou para o perigo das generalizações que não correspondem ao trabalho diário realizado nos hospitais. Entre entradas e saídas, há atualmente mais 643 médicos, 776 enfermeiros e 483 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica no sistema – resultados concretos da estratégia de atração e retenção de talento.
O Primeiro-Ministro reconheceu que se vive "um tempo estranho", marcado por forte pressão sobre o SNS. Sem ignorar os constrangimentos existentes, reconheceu desafios estruturais, como a saída de profissionais qualificados para o estrangeiro, o envelhecimento da população e o aumento da procura associado aos fluxos migratórios recentes. "São realidades novas para as quais o sistema tem de continuar a adaptar-se", afirmou.
Perante estes desafios, o Governo mantém a linha transformadora de reforma do setor. A estratégia passa pelo reforço das condições remuneratórias, de carreira e de trabalho dos profissionais de saúde, pela reforma organizacional do sistema com novos modelos de unidades de saúde, e por soluções para aliviar a pressão nas urgências.
O Primeiro-Ministro elogiou a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que "tem evidenciado um nível de competência e de resistência notáveis", e prestou reconhecimento aos profissionais que, "numa situação de grande pressão e elevadíssima complexidade", asseguram o funcionamento de um sistema que oferece aos cidadãos uma garantia de acesso à saúde "como há em poucos países do mundo".
A nova sede da Direção Executiva do SNS, fica situada no Porto, em instalações próprias, concretizando a estratégia de descentralização de serviços do Estado central.