Portugal vai investir mais 1 300 milhões de euros até ao final do ano em defesa, disse o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, na conferência "A nova Defesa", organizada pela SIC Notícias em Oeiras, acrescentando que isto implica uma estratégia consensualizada com a oposição que "será tão mais credível, interna e externamente, quanto maior apoio político tiver".
"Antecipámos para o ano de 2025 um ambicioso objetivo de alcançar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) [em Defesa] o que implica um acréscimo de despesa na ordem de mil e trezentos milhões de euros", disse.
Este objetivo será alcançado por três eixos, sendo o primeiro a "manutenção e reforço do apoio à Ucrânia".
"Um segundo eixo é o reforço das nossas capacidades antecipando alguns dos objetivos que tínhamos traçado para os próximos anos, no fundo, acelerar a aquisição de equipamentos, e alcançar metas relativamente a investimentos em infraestruturas", antecipando verbas da Lei de Programação Militar (LPM).
O terceiro eixo é fazer a "reclassificação e reavaliação de alguns investimentos que estão em curso e outros que vão ser efetuados" de "natureza dual", ou seja, de uso militar, mas também civil.
Luís Montenegro afirmou que o país deve olhar para este novo ciclo "não como um ciclo onde vamos gastar mais dinheiro e passar mais cheques, mas como um ciclo onde vamos investir para ter retorno, para tirar proveito".
Quanto à meta dos 5% do PIB até 2035, acordada na cimeira da NATO de julho passado, o Governo quer cumpri-la através de "pequenos incrementos anuais" numa "trajetória ascendente e credível", acrescentando que todos os aliados se comprometeram com esta meta.
O Primeiro-Ministro disse que o objetivo "é mais ambicioso do ponto de vista da sua execução material do que da sua execução financeira", realçando a dificuldade em adquirir rapidamente material militar que não está previamente encomendado.
Como Portugal terá excedente orçamental no final do ano, no futuro, o Governo "terá uma gestão orçamental que vá alocar para a área da defesa maior investimento do que é a tradição dos últimos anos", o que se faz "priorizando investimentos" e não "cortando noutros", e olhando para o retorno financeiro que o setor da defesa pode gerar.
A reforma do Estado libertará recursos financeiros a investir em áreas como saúde, educação ou habitação. "É este plano que, visto de uma forma transversal, também tem de libertar os recursos suficientes para investirmos na defesa", concluiu.