Portugal vai aumentar em 51% a sua contribuição financeira para a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) durante o período 2026-2030, para um total de 204,8 milhões de euros.
Este reforço evidencia o compromisso do país com o setor do Espaço e passa a envolver mais áreas governativas. Trata-se do maior aumento de sempre na subscrição plurianual da ESA, associado ao maior investimento de sempre do país, realizado no ano em que se assinalam os 25 anos da adesão de Portugal à ESA.
A proposta nacional será apresentada pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, durante o Conselho Ministerial da ESA, que se realiza em Bremen, na Alemanha, nos dias 26 e 27 de novembro, e que reunirá os 23 Estados-membros, países associados e a Comissão Europeia.
Tendo em conta o crescente impacto da área do Espaço noutros setores, este orçamento conta com a participação das áreas governativas da Economia, da Defesa, das Infraestruturas e do Ambiente, bem como do Governo Regional dos Açores, além da Ciência e Inovação, conforme a tabela em baixo.

A Ciência e Inovação vai assegurar os programas obrigatórios, designadamente o Científico, e os programas opcionais mais diretamente associados às missões científicas e à colaboração entre centros de investigação e empresas tecnológicas.
As outras áreas governativas e a Região Autónoma dos Açores contribuem em programas opcionais como a Observação da Terra, Segurança Espacial, Transporte Espacial, Comunicações, Tecnologia ou Resiliência.
Uma das missões financiadas é o Space Rider, que tem como objetivo o desenvolvimento de um veículo espacial reutilizável para a realização de experiências científicas em microgravidade e para testar tecnologias de serviços de outras missões espaciais. O local de retorno do veículo será ao largo da ilha de Santa Maria, nos Açores, criando um Centro Tecnológico Espacial.
Na área da Resiliência, o investimento português, assegurado sobretudo pela área governativa da Defesa, ajudará a criar capacidade tecnológica nacional e a posicionar a Constelação Atlântica para o futuro Serviço Governamental de Observação da Terra da União Europeia.
A Constelação Atlântica é um sistema integrado de Observação da Terra que irá proporcionar a capacidade de monitorização estratégica a partir do espaço, fornecendo informação crucial para a defesa e segurança, incluindo a preparação de exercícios militares e o apoio a operações civis e de gestão de emergências, abrangendo fogos florestais.
O reforço da contribuição portuguesa para o ciclo 2026-2030 visa incentivar a criação de mais e melhor investigação, novas empresas, a atração de empresas multinacionais e de investimento estrangeiro, gerando postos de trabalho altamente qualificados, por forma a reter o talento formado nas universidades portuguesas, nomeadamente em cursos de Engenharia Aeroespacial.
A oferta formativa nesta área tem crescido em Portugal de forma significativa. Só nos últimos cinco anos, foram criados cursos de Engenharia Aeroespacial nas Universidades do Porto, do Minho, de Aveiro e de Évora. Apesar do aumento significativo do número de vagas, este continua a ser o curso com a classificação de entrada mais alta no país.
O número de empresas do setor espacial tem também vindo a crescer, tendo duplicado nos últimos 10 anos (de 42 para 84). Um estudo socioeconómico da Novaspace aponta, aliás, efeitos muito positivos do setor do Espaço na economia portuguesa, com um retorno de 2,17 euros por cada euro investido.
A proposta a apresentar no Conselho Ministerial da ESA, esta semana, resulta do Grupo de Trabalho Interministerial para o Espaço, criado em 2025 pelo Governo, formado pelas áreas governativas dos Negócios Estrangeiros, da Economia e da Coesão Territorial, da Defesa Nacional e da Educação, Ciência e Inovação, sendo alargado às Infraestruturas e Habitação, Administração Interna, Ambiente e Energia, Agricultura e Mar e Governos Regionais dos Açores e da Madeira sempre que se justifique.
Este investimento é um exemplo daquilo que se pretende para a futura Agência para a Investigação e Inovação (AI2): criar uma ligação contínua entre Ciência e Inovação, envolvendo todos os setores e áreas ministeriais, para que o conhecimento gerado nas universidades e laboratórios chegue, de forma mais célere, às empresas e seja aplicado em soluções com impacto na vida da população e com valor acrescentado para a nossa economia.
Portugal tornou-se formalmente membro da Agência Espacial Europeia em 14 de novembro de 2000.